Como a IA vai impactar as compras. E não é como você está pensando
ASSESSIVA COMUNICAçãO
16/12/2025 12h55 - Atualizado há 2 meses
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Todo mundo já entendeu que a IA vai mudar a forma como a gente compra, certo? Em pouco tempo, você vai escolher tênis, passagem aérea e até plano de saúde batendo papo com um chatbot, pagar ali mesmo e receber tudo sem sair da conversa. Comprar dentro de um ChatGPT da vida vai ser tão comum quanto abrir o app do banco. Mas esse texto não é sobre a magia da “compra conversacional”. É sobre o pesadelo que vem junto: a fraude turbinada por IA. Porque se antes a preocupação era cair em golpe de boleto falso, agora é cair em golpe do médico falso em 4K. Reportagens recentes lá fora já mostram deepfakes de médicos reais, principalmente no TikTok espalhando desinformação de saúde, indicando remédio milagroso, tratamento “revolucionário” e suplemento que “os planos não querem que você saiba”. Agora imagina isso entrando no e-commerce: vídeo perfeito, jaleco, estetoscópio, fundo branco clínico e o “médico” apontando exatamente para o botão “comprar agora”. Cuidado com o Fake Drauzio te indicando suplemento pra tudo Você abre o Instagram e aparece um vídeo do “Drauzio Varella” dizendo que descobriu a vitamina definitiva pra “zerar o cansaço e rejuvenescer 10 anos”. Voz igual, jeito de falar parecido, cenário de consultório. Só que não é ele. É um modelo de IA treinado em cima de entrevistas reais, empurrando um produto porcaria num site obscuro. O problema é que a nossa cultura sempre confiou em rosto conhecido fazendo propaganda. Desde a TV preto e branco, marcas despejam milhões pra colocar celebridade dizendo “eu uso e recomendo”, o bom e velho viés de autoridade, ou “efeito halo”. A diferença é que, antes, a marca precisava pagar o famoso de verdade. Agora, com IA generativa, alguém pode “contratar” o rosto de uma pessoa conhecida… sem avisar a pessoa conhecida. Isso significa que o comportamento do usuário precisa mudar urgente. Não dá mais pra ver um vídeo bem produzido e pensar “ah, se o médico tal falou, deve ser verdade”. Alguns novos reflexos digitais que vão ter que virar hábito: * Desconfiar de recomendação médica em vídeo que aponta direto pra um produto específico em um site específico. * Verificar se o perfil é oficial, se tem selo, se o link leva pra domínio conhecido, se a marca existe mesmo. * Desconfiar de promoções milagrosas, resultados “garantidos” e linguagem muito emocional tipo “eles não querem que você saiba disso”. * Lembrar que hoje dá pra falsificar rosto, voz e cenário. As plataformas e marcas vão ter que se mexer: selo de autenticidade em vídeo, canais oficiais claros, campanhas educando o público. Mas, até isso ganhar tração, a melhor defesa é um pouco de ceticismo saudável. Antes de clicar em “finalizar compra”, pergunta pra você mesmo: “Foi o Dr. Drauzio que falou… ou o Fake Drauzio querendo me vender pó mágico em cápsula?” Arthur Santini, especialista em IA, associado da Apeti Rio Preto Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
Henrique Fernandes
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