Instituto Tamo Junto aposta em método de desenvolvimento humano para combater a violência doméstica

Aumento nos casos de violência contra a mulher reforça a urgência de ações em espaços de convivência

ANA CAROLINA ALMEIDA
18/12/2025 13h14 - Atualizado há 2 meses

Instituto Tamo Junto aposta em método de desenvolvimento humano para combater a violência doméstica
Divulgação - ITMJ

Milhares de pessoas estão saindo às ruas para se manifestarem e denunciarem o avanço da violência doméstica e o aumento dos casos de feminicídio. Na internet, a mobilização é voltada à conscientização sobre os tipos de violência e medidas para denunciar, com orientações sobre como quebrar o ciclo da violência. Mas pouco se fala sobre algo que a Lei Maria da Penha já prevê: os grupos reflexivos de reeducação e responsabilização de homens.

Essa mobilização nacional ocorre na mesma época que o novo Dossiê Mulher, apresentado pelo Instituto de Segurança Pública do RJ, revela dados alarmantes sobre a escalada da violência doméstica e dos assassinatos motivados por gênero. O cenário reacende o debate sobre políticas de prevenção, acolhimento e responsabilização: pilares previstos pela legislação brasileira, mas ainda distantes da prática cotidiana em muitos territórios.

 “Uma frase que me marcou muito no lançamento do Dossiê Mulher 2025: precisamos cuidar da saúde dos relacionamentos. Essa frase se comunica muito bem com o Instituto Tamo Junto. A gente pensa no desenvolvimento humano como ferramenta eficaz de enfrentamento à violência doméstica. E nesse processo de desenvolvimento, a gente cuida da saúde mental e física com a perspectiva do autocuidado, através de uma metodologia exclusiva, se conectando com a expressão ‘cuidar da saúde dos relacionamentos’”, afirma Leandro Driusso, idealizador e vice-presidente do Instituto Tamo Junto, que também é psicólogo e policial militar de carreira com experiência na Patrulha Maria da Penha e no serviço de reeducação e responsabilização de homens.

 

Metodologias adaptadas para cada público

O Instituto Tamo Junto, organização dedicada ao enfrentamento à violência doméstica e à promoção de desenvolvimento humano para relações mais saudáveis, reforça que o Brasil precisa avançar também no eixo da responsabilização e reeducação de homens autores de violência, conforme determina a Lei Maria da Penha.

“A sociedade precisa compreender que a prevenção não é uma tarefa só das mulheres”, diz a presidenta do Instituto Tamo Junto, Carine Silveira, que reforça que o momento exige que instituições públicas e privadas assumam um papel ativo no enfrentamento à violência.

“Colocam a mulher no papel da educadora de homens e questionam como que depois eles se tornam agressores, ainda colocam sobre ela o questionamento do porquê não buscou sair daquela situação de violência ou denunciou a agressão. É urgente ampliar essa discussão. Dentro das empresas, escolas, igrejas, organizações comunitárias e outros espaços neste sentido. Quem convive diariamente precisa saber identificar sinais, oferecer caminhos e, principalmente, cobrar mudança. A legislação já prevê programas de responsabilização, mas sem formação e sensibilização, eles não se sustentam. Nossa equipe multidisciplinar já atendeu mais de 2 mil homens”, reforça  Carine, que complementa que a violência doméstica não se encerra no âmbito privado e que ambientes coletivos podem e devem colaborar para romper ciclos de agressão.

“Responsabilização não é punição isolada; é transformação de comportamento”, afirma a advogada que é especialista em Direitos das Mulheres. 

A Lei Maria da Penha (11.340/2006) já previa, em seu Artigo 22 (inciso VI) e Artigo 35 (inciso V), a criação de programas voltados à recuperação e reeducação dos agressores. Em 2020, a Lei nº 13.984 ampliou essas diretrizes, permitindo que o Judiciário determine a obrigatoriedade da frequência do agressor a centros de educação e acompanhamento psicossocial como medida protetiva de urgência.

Apesar do respaldo legal, ainda são poucas as iniciativas estruturadas de formação, diálogo e responsabilização, especialmente em empresas, associações, igrejas e espaços de convivência, onde o tema permanece cercado por tabu ou desconhecimento.

Psicólogo e policial militar há 23 anos, Leandro Driusso, integrou a Patrulha Maria da Penha e hoje atua diretamente com grupos de reeducação de homens agressores, pontua sobre a importância de ações estruturadas e contínuas.

“O enfrentamento à violência doméstica não pode ser apenas repressivo. É preciso trabalhar a responsabilização no sentido de reconstruir percepções, crenças e comportamentos. Em nossos grupos, vemos que muitos homens nunca refletiram sobre igualdade de gênero, limites e respeito. A mudança é possível, mas requer método, constância e políticas sustentáveis”, analisa de forma empírica pela sua experiência direta com vítimas, agressores e casos de reincidência, como homens que depois de agredir uma parceira, faz outras vítimas.

Driusso explica que o Instituto Tamo Junto tem desenvolvido metodologias específicas para empresas, prefeituras, igrejas, associações de moradores e coletivos, oferecendo palestras, rodas de conversa, formação continuada e programas de acompanhamento psicossocial voltados ao público masculino. “Realizamos ações com linguagem diversificada e adaptada aos nossos públicos-alvo, e com isso já tivemos experiências com grupos em escolas, refletindo com os jovens sobre relacionamentos saudáveis”, conta.

Diante do avanço dos casos de feminicídio e da amplificação das denúncias em todo o país, o Instituto Tamo Junto reforça a necessidade imediata de capacitações sistemáticas e da implementação de programas de responsabilização e educação de homens agressores, conforme previsto na legislação vigente.

A organização se coloca à disposição para auxiliar instituições públicas e privadas a desenvolver políticas internas de prevenção, canais de apoio, formação para lideranças e ações de conscientização voltadas tanto para mulheres quanto para homens.

O Instituto Tamo Junto está disponível para atendimentos on-line e disponibiliza conteúdos em seus perfis oficiais no Instagram, Facebook e YouTube (@tmj_instituto)


 

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ANA CAROLINA DE JESUS ALMEIDA
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