O câncer de mama é o tipo de câncer que mais acomete e mata mulheres no Brasil e o país lida com um aumento de diagnósticos em mulheres com menos de 50 anos, conforme dados do Ministério da Saúde, o que tem impactado o mercado de trabalho. Segundo pesquisa realizada em 2024 pelo Datafolha, quatro em cada 10 brasileiras param de trabalhar após descobrirem a doença, o que representa em média 20 mil mulheres deixando seus empregos ou atividades profissionais todos os anos, conforme dados do Panorama do Câncer de Mama, estudo feito anualmente pelo Instituto Natura com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para além do comprometimento físico e rotinas possivelmente intensas de tratamento, o impacto psicoemocional do diagnóstico e tratamento de câncer pode ser um desencadeador para que mulheres não consigam seguir com sua rotina de trabalho. Isso se intensifica quando não há apoio e retaguarda personalizada por parte das empresas, de acordo com Luciana Holtz, psico-oncologista e presidente do Oncoguia, parceiro do Instituto Natura, da Avon, da RD Saúde e da Rede Feminina de Combate ao Câncer no Movimento pelo Cuidado das Mamas, aliança de conscientização sobre o cuidado com a saúde das mamas.
Luciana afirma que, quando adaptado e alicerçado por uma política de recursos humanos inclusiva, o trabalho pode não só ser conciliado à rotina oncológica, como se tornar uma motivação para que a mulher passe pela jornada da doença com mais leveza. “A doença chega desmontando tudo. Ela impacta o corpo, o psicológico, a rotina, a vida familiar e também o trabalho e o financeiro. Mas se o trabalho é importante para aquela mulher, faz com que ela se sinta bem e ativa, manter esse trabalho vai ajudá-la a manter vivo o senso de utilidade e pertencimento e sem dúvida, ajudar a passar pelo tratamento de maneira mais leve”, diz.
Segundo a especialista, a depender da atividade exercida pela pessoa, adaptações simples como flexibilização de horários, permissão para trabalhar de casa e redução de atividades podem viabilizar a conciliação entre trabalho e tratamento. E efemérides como o Janeiro Branco, assim como o início de um novo ano, podem ajudar a abrir espaço para este tipo de discussão dentro das empresas.
“É preciso uma política interna e equipe treinada para entender o que essa colaboradora está passando e precisa naquele momento, com empatia e flexibilidade. Os bons exemplos a gente tem e passam por chefes que escutam, que entendem, que conversam e adaptam”, diz a psico-oncologista. Treinamentos de comunicação e acolhimento, regras claras e pré-estabelecidas para este tipo de situação e auxílios extras para colaboradores diagnosticados, como apoio psicológico e manutenção do salário mesmo em caso de afastamento, são boas práticas.
Conscientização também deve ser abraçada pelo corporativo
Para além de dar suporte para colaboradores diagnosticados com câncer, as empresas podem ajudar no fortalecimento do diagnóstico precoce do câncer de mama com campanhas internas de conscientização e estímulo à rotina de exames para rastreamento da doença, como é, inclusive, um direito garantido pela legislação brasileira, afirma Mariana Lorencinho, líder de Políticas Públicas Pelo Cuidado Com a Saúde das Mamas no Instituto Natura.
“Precisamos falar de rotina de exames, sinais da doença e detecção precoce para além do Outubro Rosa e na maior quantidade de espaços possível. Este é o objetivo do Movimento Pelo Cuidado das Mamas: unir forças para aumentar a conscientização, garantir acesso ao diagnóstico precoce e assim reduzir a mortalidade pela doença. Ao mesmo tempo, o Instituto Natura também atua em outra frente que apoia o desenvolvimento de Políticas Públicas qualificadas e eficientes para aumentar o acesso a exames de rastreamento em todo o país”, afirma Mariana.
“A Lei já determina que todo funcionário tem direito a três ausências no ano para fazer exames de rotina, mas criar políticas e campanhas corporativas que reconheçam esse direito e incentivem isso, como busca ativa das colaboradoras na faixa etária alvo de rastreamento, compartilhamento de fotos e depoimentos de pessoas fazendo os exames nas redes de comunicação interna, criação de espaços de diálogo sobre o assunto e incentivo às lideranças para reforçarem a importância da gestão da própria saúde podem aumentar a adesão e criar uma cultura de autocuidado”, complementa a psico-oncologista Luciana.
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GIOVANNA BONFIM DE CASTRO
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