São Paulo, fevereiro de 2025 – O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, inicia projeto de renovação da exposição de longa duração. A renovação marca um novo momento da instituição ao atualizar as formas de apresentar o acervo e ampliar a relação com o público.
Fundado em 2004, o Museu abriga hoje um acervo com mais de oito mil peças dedicadas à presença negra nas artes e na cultura do Brasil. A renovação da exposição dialoga com a visão de Emanoel Araujo, artista e fundador do Museu, para quem o acervo deveria funcionar como um instrumento vivo de memória, pesquisa e afirmação das culturas negras.
Em desenvolvimento desde abril de 2024, o projeto vai além da atualização do espaço expositivo. A proposta é renovar o acervo, incorporando obras que ainda não estavam em exposição e oferecendo novos contextos curatoriais a peças já conhecidas. Com isso, o Museu reforça seu papel como espaço ativo de produção de conhecimento, conectando memória, pesquisa e criação contemporânea, em um momento de ampliação do debate público sobre memória, patrimônio e representatividade.
Nesse contexto, a Exposição de Longa Duração passa a incorporar três novas obras ao acervo do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, integradas ao percurso expositivo após a renovação.
Anti Ribeiro apresenta a escultura sônica Tempestade Sistema de Som (2024), que transforma o espaço expositivo em uma experiência sensorial mediada pelo som. Jaime Lauriano integra a exposição com o vídeo Combate (2025), trabalho que aborda a violência histórica, as disputas de território e as marcas do colonialismo. Já Izidorio Cavalcanti apresenta o vídeo Capela para São Izidorio Cavalcanti (2012), que articula performance, religiosidade popular e crítica institucional.
Uma das ações centrais é o ARTBook Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, primeira publicação dedicada exclusivamente ao acervo da instituição. O livro reúne cerca de 200 obras do acervo, incluindo produções de Emanoel Araujo e de artistas históricos do Museu. Entre eles estão Madalena Santos Reinbolt, Maria Lídia Magliani, Agnaldo Manuel dos Santos, Aurelino dos Santos e Maria Auxiliadora da Silva, trajetórias fundamentais para a consolidação da identidade do acervo e que hoje integram algumas das mais importantes coleções públicas de arte afro-brasileira no país.
A publicação tem versões impressa e digital e possui 380 páginas. O livro reúne contribuições dos núcleos de Curadoria, Pesquisa, Educação e Salvaguarda do Museu.
O projeto inclui ainda a audiosserie Arquivos Vivos, já disponível nas plataformas Spotify e YouTube. A série é composta por nove episódios e propõe um percurso de escuta a partir do acervo fixo do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. Cada episódio parte de uma obra, conjunto de obras ou núcleo da exposição para abordar contextos históricos, processos artísticos, técnicas e trajetórias da arte negra no Brasil.
Ao longo da série, o acervo é apresentado como um corpo vivo de memória, atravessado por diferentes períodos, linguagens e modos de criação. Os episódios percorrem obras do século XIX à produção contemporânea, reunindo esculturas, pinturas, gravuras, fotografias e instalações, sempre situadas em seus contextos sociais, históricos e simbólicos.
O episódio inaugural da audiossérie “Arquivos Vivos” é dedicado a Emanoel Araujo, artista e fundador do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. Partindo de obras de sua autoria presentes no acervo, o episódio apresenta sua trajetória artística e curatorial e estabelece as bases conceituais da série, ao evidenciar sua visão do acervo como instrumento vivo de memória, pesquisa e afirmação das culturas negras.
Os episódios seguintes aprofundam essa escuta ao se dedicarem a artistas históricos e contemporâneos do acervo, bem como obras que dialogam com temas como trabalho, religiosidade, ancestralidade, violência histórica, resistência e invenção estética. A série aposta na ficção e na sonorização como ferramentas de mediação cultural, criando atmosferas que ampliam a experiência de relação com as obras, sem recorrer a um formato tradicional de podcast narrativo.
“A renovação da exposição de longa duração é, antes de tudo, um exercício de escuta. Escuta do acervo e da história. O projeto propõe que essas obras sejam percebidas como presenças ativas, capazes de gerar novas leituras no presente”, afirma Rosa Couto, curadora do Museu.
O Projeto Renovação seguirá em desenvolvimento com novos desdobramentos ao longo dos próximos anos, reafirmando o compromisso institucional do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo com a preservação, a valorização e a difusão das culturas negras.
O projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Vale, Goldman Sachs, Vivo, J. P. Morgan e Mattos Filho. Uma realização do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Governo do Estado de São Paulo, do Ministério da Cultura e do Governo Federal – Brasil, União e Reconstrução.
Serviço
Projeto Renovação – Art Book, inserções multimídia e audiossérie Arquivos Vivos
Audiossérie Arquivos Vivos: disponível no Spotify e no YouTube.
Sobre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu fundador, Emanoel Araujo (1940-2022), o museu é um espaço de história, memória e arte. Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo conserva, em cerca de 12 mil m², um acervo museológico com mais de 8 mil obras, apresentando diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiro e abordando temas como religiosidade, arte e história, a partir das contribuições da população negra para a construção da sociedade brasileira e da cultura nacional. O museu exibe parte deste acervo na exposição de longa duração e realiza exposições temporárias.
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MARCELA DE LIMA SOUZA
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