Os desafios de escolher em tempos de ansiedade

O filósofo e escritor reflete sobre o papel das escolhas em nossa saúde mental e como a falta de preparo para decidir pode levar à ansiedade e à depressão

JúLIA BOZZETTO
19/02/2026 20h48 - Atualizado há 1 semana

Os desafios de escolher em tempos de ansiedade
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Vivemos uma época paradoxal. Nunca se falou tanto em saúde mental e nunca houve tantos relatos de ansiedade, angústia e depressão. O discurso é abundante, os diagnósticos se multiplicam, mas o mal-estar persiste. Talvez porque estejamos tratando apenas dos sintomas e evitando uma pergunta mais incômoda: o que nossas escolhas têm a ver com isso?

"Escolher é inevitável. Mesmo quando evitamos decidir, já fizemos uma escolha", afirma o filósofo e escritor Pedro de Medeiros. "A vida adulta é estruturada por decisões constantes: profissionais, afetivas, morais, financeiras, existenciais. O que mudou não foi a necessidade de escolher, mas o peso que recai sobre quem escolhe”. 

Vivemos cercados por influências: família, cultura, mercado, redes sociais, expectativas alheias, discursos de sucesso e felicidade prontos para consumo. Ao mesmo tempo, somos informados de que “a vida é nossa”, de que “tudo depende de nós”. O resultado é um paradoxo cruel: somos empurrados por forças invisíveis, mas cobrados como se fôssemos plenamente livres e conscientes.
A ansiedade nasce, muitas vezes, da antecipação infinita das consequências. E se eu errar? E se essa não for a melhor escolha? E se eu me arrepender? A angústia aparece quando percebemos que não há garantias, que nenhuma decisão vem com certificado de acerto.

Já a depressão pode surgir quando o sujeito se vê aprisionado em escolhas que não reconhece como suas ou quando desiste de escolher, entregando a própria vida ao piloto automático.

"Quase ninguém nos ensinou a escolher", afirma Pedro de Medeiros. "Aprendemos a produzir, competir, performar. Aprendemos técnicas, ferramentas, métodos para trabalhar. Mas raramente aprendemos instrumentos para pensar a própria vida”, reflete. 
 

O desafio do nosso tempo não é ampliar ainda mais as opções, mas aprender a escolher com mais consciência. Pensar não resolve tudo. Mas a ausência de pensamento quase sempre cobra um preço alto demais.


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JÚLIA KLAUS BOZZETTO
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