O império farmacêutico que cresceu longe da Faria Lima
Grupo Total, nascido no interior paulista, superou redes listadas na Bolsa com R$ 2 bilhões de receita e tornou-se caso emblemático do varejo associativista
JéSSICA DA CONCEIçãO
26/02/2026 15h28 - Atualizado há 5 dias
Grupo Total
Enquanto os holofotes do varejo farmacêutico costumam apontar para companhias de capital aberto, com sede nos grandes centros financeiros do país, um grupo construído longe da Faria Lima vem chamando a atenção pelos números e pela estratégia. Com origem em Ribeirão Preto (SP), o Grupo Total fechou 2025 com receita superior a R$ 2 bilhões, quase 700 lojas e presença em mais de 330 municípios, consolidando-se entre as 15 maiores redes do setor de farmácias Brasil. O avanço recente foi expressivo. Segundo o ranking das 300 maiores empresas do varejo nacional, elaborado pelo Instituto Retail Think Tank em parceria com a Mastercard, o Grupo Total foi a quinta companhia que mais subiu posições, avançando 47 colocações em apenas um ano. Em faturamento, saltou para a 117ª posição, desempenho bem acima da média do setor. Associativismo como motor de escala
Fundado em 1996, o grupo construiu sua expansão com base em um modelo que foge do padrão tradicional de aquisições ou lojas próprias – o associativismo. A estratégia consiste em atrair farmácias independentes para conversão de bandeira, mantendo o empreendedor local no comando da operação, mas integrando a loja a uma estrutura centralizada de compras, gestão, tecnologia e marketing. “O crescimento sustentável passa por gerar eficiência e rentabilidade para quem está na ponta. Nosso papel é profissionalizar a gestão sem tirar a autonomia do empreendedor”, afirma o presidente Júlio Martins. Esse modelo permitiu à rede ganhar capilaridade em cidades médias e pequenas, especialmente no interior paulista, onde grandes grupos nacionais ainda têm baixa presença. Hoje, o Grupo Total está em mais municípios do que algumas líderes do setor, mesmo com uma estrutura corporativa mais enxuta. Tecnologia para pequenas e médias farmácias
O foco da companhia não se limita à expansão geográfica e também envolve ganhos consistentes de eficiência operacional. Ferramentas como BI Solar e Total Price, desenvolvidas em parceria com a Febrafar, orientam decisões de mix, precificação e margem em tempo real. O grupo também investiu na criação de um datalake próprio, automação de processos e treinamentos personalizados apoiados por inteligência artificial, elevando o nível de análise das lojas associadas. O resultado foi crescimento do tíquete médio, aumento no volume de transações e maior adesão às campanhas nacionais. Outro vetor relevante foi o fortalecimento do portfólio de marcas próprias, operado pela BEM ME, com foco em categorias de maior giro e margem saudável para o lojista. Além do varejo tradicional, o Grupo Total acelerou a padronização das salas clínicas, ampliando serviços de atenção básica, como aferições, testes rápidos e acompanhamento farmacêutico. A iniciativa reforça o papel da farmácia como ponto de cuidado primário, especialmente em regiões onde o acesso ao sistema de saúde é mais limitado. Crescer sem perder o DNA
Para 2026, o plano é seguir crescendo, mas com foco em consolidação regional, principalmente no interior de São Paulo e em estados estratégicos das regiões Sudeste, Norte e Nordeste. O crescimento será guiado por cinco pilares – crescimento qualificado da rede, avanço em tecnologia e dados, fortalecimento do marketing, desenvolvimento de novos serviços e reforço da governança. “O associativismo só funciona quando consegue equilibrar escala, proximidade com o cliente e eficiência operacional. Esse equilíbrio é o que nos trouxe até aqui e o que vai sustentar o próximo ciclo”, pontua Martins. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
Jéssica da Conceição
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FONTE: Scritta - Serviço de Notícia