Mães acumulam exaustão, culpa e deixam a própria saúde de lado, apontam especialistas
Psicólogo e nutricionista alertam para rotina invisível que impacta saúde mental e física de mulheres, especialmente após a maternidade
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Cuidar dos filhos, da casa, do trabalho e ainda dar conta das demandas emocionais da família. Na prática, muitas mães entram em uma rotina que prioriza todos ao redor e deixa a própria saúde em segundo plano.
Esse comportamento aparece com frequência nos atendimentos clínicos e, segundo especialistas, costuma vir acompanhado de sinais silenciosos como exaustão constante, sensação de culpa e falta de tempo até para necessidades básicas.
Para o psicólogo Bruno Garibaldi, existe uma cobrança social e interna que impede muitas mulheres de reconhecerem os próprios limites. “Muitas mães não se autorizam a parar. Existe uma ideia de que dar conta de tudo é obrigação, e isso gera um nível de desgaste emocional alto, que nem sempre é verbalizado”, afirma.
Ele explica que a sobrecarga tende a se acumular ao longo do tempo e pode impactar diretamente a saúde mental. “A exaustão vira padrão. A culpa aparece quando a mãe tenta fazer algo por ela mesma. E, com isso, o cuidado pessoal vai sendo adiado indefinidamente”, diz.
Esse cenário também se reflete na alimentação. Segundo o nutricionista Ronan Nakau, é comum que mães priorizem a rotina dos filhos e deixem de lado hábitos básicos de nutrição. “Mães cuidam de todo mundo, mas negligenciam a própria alimentação e muitas nem percebem. Pulam refeições, comem de forma irregular e acabam recorrendo a opções mais rápidas, que nem sempre são adequadas”, afirma.
A consequência, segundo ele, não é apenas estética, mas funcional. “Isso impacta energia, disposição, concentração e até o humor. A alimentação desorganizada reforça o cansaço e cria um ciclo difícil de quebrar”, diz.
Os especialistas apontam que o primeiro passo é reconhecer o problema como algo real, e não como parte inevitável da maternidade. Pequenas mudanças na rotina, como organizar horários mínimos para alimentação e estabelecer pausas, já ajudam a reduzir os impactos. “A mãe precisa se incluir na própria rotina. Cuidar de si não é luxo, é necessidade”, afirma Bruno.
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Henrique Fernandes
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