Brasileiro usa mais IA que americano, mas empresas ainda travam tecnologia

Estudos da Microsoft e da TOTVS mostram que profissionais avançam mais rápido que as empresas na adoção da inteligência artificial

Por ASSESSIVA COMUNICAçãO
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O trabalhador brasileiro está entre os mais avançados do mundo no uso de inteligência artificial, mas grande parte das empresas do país ainda opera em estágio inicial de adoção da tecnologia. O cenário aparece em dois estudos divulgados nos últimos dias por Microsoft e TOTVS. O Work Trend Index 2026, da Microsoft, ouviu 20 mil profissionais em dez países e mostrou que o Brasil possui hoje o maior percentual de “Frontier Professionals”, grupo de profissionais que usam IA de forma avançada. Segundo o levantamento, 27% dos brasileiros já utilizam inteligência artificial nesse nível, acima dos Estados Unidos, com 17%, e da França, com 8%. Na outra ponta, um estudo da TOTVS em parceria com a H2R, realizado com 194 empresas brasileiras, mostrou que apenas 4% das companhias estão em estágio avançado de adoção de IA. O levantamento aponta ainda que somente 17% possuem soluções personalizadas e apenas 7% conseguem medir retorno financeiro real sobre o uso da tecnologia. Para Arthur Santini, especialista em IA e tecnologia, associado da Apeti, os números revelam um descompasso que pode impactar diretamente a competitividade das empresas brasileiras nos próximos anos. “O profissional brasileiro está aprendendo e utilizando IA numa velocidade muito maior do que as empresas conseguem implementar. Hoje existe um movimento muito individual, onde o colaborador usa ferramentas por conta própria, mas muitas empresas ainda não possuem estratégia, governança ou processos internos definidos”, afirma. Segundo ele, o avanço rápido da inteligência artificial criou um cenário incomum no mercado. “Normalmente a transformação tecnológica acontece primeiro dentro das empresas e depois chega ao trabalhador. Agora está acontecendo o contrário. O funcionário muitas vezes já domina ferramentas de IA antes da própria empresa estruturar isso internamente”, diz. Santini afirma que o principal desafio agora não é mais acesso à tecnologia, mas capacidade de adaptação das empresas. “A IA deixou de ser tendência. O debate agora é produtividade, ganho operacional e tomada de decisão. Quem conseguir organizar isso mais rápido tende a ganhar competitividade muito cedo”, afirma.

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