Assédio moral no trabalho: práticas normalizadas nas empresas aumentam riscos trabalhistas e desgaste emocional

Especialista em direito preventivo trabalhista, Daniela Brum alerta para comportamentos corporativos que afetam a saúde mental, enfraquecem equipes e ampliam passivos jurídicos

Por HABLA FM
6 Min

Assédio moral no trabalho: práticas normalizadas nas empresas aumentam riscos trabalhistas e desgaste
Na imagem Daniela Brum
Cobranças excessivas, exposição pública de erros, pressão constante, metas abusivas e comunicação agressiva ainda fazem parte da rotina de muitas empresas brasileiras. Embora frequentemente tratados como comportamentos “comuns” no ambiente corporativo, especialistas alertam que essas práticas podem contribuir para o aumento de conflitos internos, adoecimento emocional e riscos trabalhistas.
O debate ganhou ainda mais força nos últimos meses com o avanço das discussões sobre saúde mental no trabalho, NR1, riscos psicossociais e responsabilidade das empresas na construção de ambientes corporativos mais saudáveis.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ambientes de trabalho prejudiciais à saúde mental estão associados ao crescimento de ansiedade, depressão, afastamentos e queda de produtividade. A entidade estima que cerca de 12 bilhões de dias de trabalho sejam perdidos anualmente no mundo devido a questões relacionadas à saúde mental. (who.int)


Para a advogada trabalhista empresarial Daniela Brum, especialista em direito preventivo trabalhista, muitas empresas ainda não percebem que determinados padrões culturais podem aumentar significativamente a exposição jurídica e o desgaste das equipes.
“Nem sempre os conflitos começam em grandes denúncias. Muitas vezes eles surgem em comportamentos repetidos no dia a dia, que acabam sendo tratados como normais dentro das empresas.”
Cultura organizacional e liderança estão no centro das discussões
Especialistas apontam que comportamentos tóxicos no ambiente corporativo nem sempre aparecem de forma explícita. Em muitos casos, eles se manifestam através de pequenas práticas recorrentes, como:
  • exposição constrangedora de colaboradores;
  • “brincadeiras” de mau gosto constantes e apelidos;
  • cobranças desproporcionais;
  • comunicação hostil;
  • desvalorização constante;
  • pressão psicológica;
  • ausência de escuta;
  • competitividade excessiva;
  • falta de preparo emocional das lideranças.
Segundo Daniela Brum, a cultura organizacional influencia diretamente a forma como conflitos surgem e se perpetuam dentro das empresas.
“Quando comportamentos inadequados passam a ser tolerados, o ambiente tende a se tornar emocionalmente inseguro. Isso afeta relações, produtividade, retenção e também aumenta riscos trabalhistas.”
Dados do relatório People at Work 2025, da ADP Research, mostram que profissionais que trabalham sob pressão constante apresentam menor engajamento e maior intenção de desligamento. (adpri.org)

Assédio moral no trabalho nem sempre acontece de forma evidente
Especialistas em direito trabalhista e gestão de pessoas alertam que o assédio moral no trabalho pode ocorrer de maneira contínua e silenciosa, através de atitudes repetidas que desgastam emocionalmente os profissionais ao longo do tempo.
Entre os exemplos mais comuns estão:
  • exclusão de reuniões;
  • ironias frequentes;
  • humilhações sutis;
  • isolamento;
  • excesso de cobrança;
  • exposição pública de falhas;
  • pressão excessiva por resultados.
Para Daniela Brum, muitas empresas ainda agem apenas após crises ou denúncias formais.
“A prevenção continua sendo a forma mais eficiente de proteger empresas e colaboradores. Ambientes saudáveis não surgem apenas com discurso, mas com treinamento, preparo das lideranças e políticas internas consistentes.”

Empresas ampliam investimentos em prevenção trabalhista e segurança psicológica
Com o crescimento das discussões sobre saúde mental corporativa e compliance trabalhista, empresas passaram a revisar políticas internas, fortalecer canais de denúncia e investir em educação corporativa.
Especialistas apontam que organizações com ambientes emocionalmente mais saudáveis tendem a apresentar:
  • menor índice de conflitos;
  • maior retenção de talentos;
  • melhora no clima organizacional;
  • aumento de produtividade;
  • redução de afastamentos e passivos trabalhistas.
Para Daniela Brum, o tema deve ganhar ainda mais espaço dentro das empresas nos próximos anos.
“As organizações estão percebendo que cultura corporativa, saúde mental e prevenção trabalhista caminham juntas. Empresas que ignorarem isso terão cada vez mais dificuldades internas e riscos jurídicos maiores.”

Saiba mais sobre a especialista:
Daniela Brum é advogada especialista em direito trabalhista empresarial, com 30 anos de experiência em consultoria preventiva para empresas e departamentos de RH. Sua trajetória combina atuação no contencioso e na prevenção de passivos trabalhistas, além de ministrar palestras e treinamentos corporativos sobre compliance, governança e prevenção de assédio moral e sexual.
Autora do livro "Assédio Moral e Sexual nas Relações de Trabalho – Prevenção e Combate", lançado pela Editora Mizuno, Daniela é referência em direito trabalhista no Brasil, com foco em cultura ética e segurança psicológica no ambiente corporativo.
Reconhecimento: Selecionada entre os TOP100 Advogados Digitais 2025 pela Advbox, premiação nacional que reconhece os advogados mais influentes nas redes sociais e na transformação digital da advocacia brasileira.

Livro disponível : 
Assédio Sexual e Assédio Moral nas Relações de Trabalho — Editora Mizuno
Contato e redes sociais: @danielabrum_adv no Instagram


 

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ROBERTA FABIANI DA TRINDADE
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