Diagnóstico de linfoma ainda representa desafio para pacientes e profissionais de saúde

No Agosto Verde Claro, campanha da Abrale destaca a importância de reconhecer os sinais da doença e ampliar o acesso ao tratamento e ao suporte psicológico e jurídico

Por SONIA DINIZ
4 Min

Diagnóstico de linfoma ainda representa desafio para pacientes e profissionais de saúde
divulgação
"O cuidado com o linfoma começa pela informação." Esse é o tema da campanha Agosto Verde Claro, promovida pela Associação Brasileira de Câncer do Sangue - Abrale, que busca ampliar o conhecimento da população sobre os linfomas, um tipo de câncer no sangue. A iniciativa procura estimular o diagnóstico precoce e chamar a atenção para os desafios enfrentados por quem convive com a doença.

Chegar ao diagnóstico ainda é uma das principais barreiras para muitos pacientes. Um estudo observacional realizado em 2025 pela Abrale, com 262 pessoas com linfoma, mostrou que 71% apresentaram sintomas antes da confirmação da doença, mas que 31% precisaram passar por mais de três médicos até serem encaminhados ao especialista. A pesquisa também revelou que a jornada do paciente continua sendo marcada por importantes dificuldades, como o impacto financeiro da doença, a compreensão do prognóstico e a necessidade de apoio psicológico e emocional.


Para ajudar a reduzir essas barreiras, a Abrale oferece suporte gratuito aos pacientes com linfoma e outras doenças do sangue. Atualmente, a associação está presente em dez estados brasileiros por meio do programa de Navegadores de Pacientes, que auxilia as pessoas ao longo de toda a jornada, desde o diagnóstico até o tratamento, facilitando o acesso aos serviços de saúde e às informações necessárias para o cuidado. A entidade também disponibiliza atendimento psicológico e orientação jurídica para pacientes e familiares.

Os números do serviço jurídico da Abrale mostram a dimensão dessa realidade. Nos últimos cinco anos, 26,43% de todos os atendimentos jurídicos realizados pela associação foram destinados a pacientes com linfoma. Em 2025, esse porcentual chegou a 31,29%. As principais demandas envolveram direitos previdenciários e benefícios assistenciais, judicialização para acesso a tratamentos e procedimentos, cobertura pelos planos de saúde e orientações relacionadas ao acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Os dados reforçam que a jornada do paciente com linfoma ainda é marcada por barreiras de acesso, atrasos no diagnóstico e impactos significativos na qualidade de vida. Fortalecer a informação, ampliar o acesso aos especialistas e garantir suporte multidisciplinar são medidas essenciais para promover um cuidado mais integral e equitativo”, afirma a vice-presidente da Abrale, Dina Steagall.

Brasil registra mais de 15 mil casos anuais da doença
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar, a cada ano do triênio 2026-2028, cerca de 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin, o nono tipo de câncer mais incidente no país, além de 3.070 novos casos de linfoma de Hodgkin, que ocupa a 20ª posição entre os tumores mais frequentes.

O aumento indolor dos linfonodos (ínguas), especialmente no pescoço, axilas ou virilha, febre persistente sem causa aparente, perda de peso inexplicada, suor noturno intenso, cansaço persistente, coceira pelo corpo e falta de ar ou tosse prolongada estão entre as manifestações mais comuns do linfoma.

Embora esses sintomas possam estar relacionados a outras condições de saúde, quando persistem devem ser investigados por um médico. O diagnóstico precoce pode contribuir para que o tratamento seja iniciado de forma mais rápida e adequada.

Ao longo de todo o mês, a campanha Agosto Verde Claro da Abrale promoverá ações de conscientização para incentivar a população a reconhecer os sinais da doença e buscar atendimento médico diante de sintomas persistentes. Afinal, o cuidado com o linfoma começa pela informação. Mais detalhes em https://abrale.org.br/doencas/linfomas/
 

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LEANDRO ANTONIO FERRARI ANDRADE
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FONTE: abrale.org.br
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