Exportar não é uma possibilidade restrita às grandes indústrias ou empresas multinacionais. Pequenas e médias empresas de Ribeirão Preto também podem acessar o mercado internacional, desde que estejam preparadas para entender as exigências de cada mercado, adequar seus produtos, estruturar processos e desenvolver uma estratégia de internacionalização.
Para Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP na região de Ribeirão Preto, a criação de uma cultura exportadora é fundamental para que mais empresas do interior paulista percebam que vender para outros países pode fazer parte de uma estratégia de crescimento.
"Existe ainda a percepção de que exportar é algo muito distante da realidade das pequenas empresas. Mas muitas delas já possuem produtos, capacidade produtiva e diferenciais que podem encontrar espaço no mercado internacional. O que falta, muitas vezes, é informação, preparação e orientação para transformar esse potencial em uma operação estruturada."
Segundo a especialista, programas e iniciativas voltados à preparação das empresas têm papel importante nesse processo. Entre eles estão ações do PEIEX (Programa de Qualificação para Exportação) e da ApexBrasil, além de iniciativas desenvolvidas regionalmente pelo Núcleo de Comércio Exterior do CIESP de Ribeirão Preto e região.
A região também passou a contar recentemente com o Exporta Ribeirão, iniciativa da Prefeitura de Ribeirão Preto voltada ao estímulo da internacionalização das empresas do município.
Para Cristiane, apesar de possuírem formatos e estruturas diferentes, essas iniciativas têm um objetivo em comum: aproximar as empresas do comércio internacional.
"Quando temos programas de capacitação, treinamentos, orientação técnica e iniciativas que aproximam o empresário do comércio exterior, estamos criando uma cultura exportadora. E essa cultura é fundamental. Uma empresa não começa a exportar simplesmente porque decidiu vender para outro país. Ela precisa entender mercado, documentação, formação de preço, logística, tributação, certificações, câmbio e as características do consumidor ou comprador internacional."
A especialista destaca que a internacionalização também pode contribuir para reduzir a dependência das empresas do mercado interno.
"Ter clientes em diferentes mercados pode aumentar a resiliência de uma empresa. Se ela depende exclusivamente da economia brasileira, fica mais exposta às oscilações internas. Quando desenvolve mercados internacionais de maneira planejada, passa a ter outras possibilidades de crescimento e diversificação de receita."
Outro ponto importante é que a preparação para exportar pode gerar ganhos mesmo quando a empresa ainda não realizou sua primeira venda internacional.
"Muitas vezes, o empresário pensa que um treinamento de exportação só terá resultado quando sair o primeiro contêiner. Não é assim. Ao estruturar processos, melhorar a gestão, conhecer seus custos e adequar o produto às exigências internacionais, a empresa também se torna mais competitiva no mercado interno."
Na avaliação de Cristiane, o fortalecimento do comércio exterior em Ribeirão Preto tem potencial para gerar efeitos em cadeia na economia regional.
"Quando uma empresa começa a exportar, não é apenas ela que ganha. Ela pode precisar contratar mais funcionários, ampliar a produção, comprar mais insumos, contratar transportadoras, serviços especializados, despachantes, empresas de embalagem, tecnologia e logística. Uma operação internacional pode movimentar uma cadeia inteira de negócios."
A consolidação dessa cultura exportadora também pode contribuir para atrair investimentos e ampliar a qualificação profissional na região.
"Precisamos enxergar o comércio exterior como uma cadeia econômica. Quanto mais empresas preparadas tivermos para importar e exportar, maior será a demanda por profissionais qualificados, serviços especializados, infraestrutura logística e investimentos. Isso cria um ecossistema de comércio internacional que beneficia toda a região."
Para Cristiane, Ribeirão Preto possui condições para ampliar sua participação no comércio internacional justamente por reunir empresas de diferentes segmentos e uma economia regional diversificada.
"Ribeirão Preto não precisa esperar que apenas as grandes empresas façam esse movimento. Pequenas e médias empresas também podem começar, desde que façam isso com planejamento. O primeiro passo é entender se o produto tem potencial, identificar os mercados adequados e buscar capacitação. A internacionalização não precisa começar grande, mas precisa começar de maneira estruturada."
A especialista ressalta ainda que o desenvolvimento de uma cultura exportadora é um processo de longo prazo.
"Não existe uma fórmula de exportação que sirva para todas as empresas. Cada negócio precisa entender seu produto, sua capacidade, seu mercado e sua estrutura. O mais importante é que o empresário deixe de enxergar o comércio exterior como algo inacessível e passe a considerá-lo como uma possibilidade concreta de crescimento."
Para ela, a união entre iniciativas públicas, entidades empresariais e empresas é fundamental para consolidar Ribeirão Preto como um polo cada vez mais conectado ao mercado internacional.
"PEIEX, ApexBrasil, iniciativas municipais como o Exporta Ribeirão e ações regionais do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP têm um papel importante porque ajudam a aproximar o empresário dessa realidade. Quando essas iniciativas se somam, criamos conhecimento, capacitação e oportunidades. E isso inevitavelmente gera negócios, investimentos, empregos e desenvolvimento para toda a região."