Ibovespa agoniza após quedas consecutivas e fuga de capital estrangeiro, alerta Charles Mendlowicz

Com saída de R$ 15,6 bi do capital externo, sócio da Ticker Wealth aponta deterioração fiscal e Selic elevada como motores do pânico na bolsa brasileira

Por PUBLISH IDEAS
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Crédito: B3/Divulgação

O Ibovespa engatou uma sequência preocupante de dez pregões consecutivos em queda, deixando investidores apreensivos. Para Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o momento é crítico. “O Ibovespa está agonizando na UTI, respirando por aparelhos”, resume o economista, que descarta que a deterioração econômica seja algo passageiro.
 
A recente sequência negativa da B3 provocou um forte recuo do capital vindo do exterior. Até o dia 13 de agosto, investidores internacionais retiraram R$ 15,6 bilhões do mercado acionário brasileiro. Esse movimento reflete a piora no sentimento global em relação aos ativos do país. Grandes instituições, como o JP Morgan, rebaixaram a recomendação das ações brasileiras para neutra, citando preocupações eleitorais, juros altos e o aumento das despesas do governo.
 
“Uma recomendação como a feita pelo JP Morgan sinaliza para os investidores algo como: 'Não invista no Brasil agora porque a Selic está alta, é ano eleitoral e os gastos públicos estão elevados'”, explica Mendlowicz. Para ele, o cerne do problema reside na condução das contas públicas e no crescimento contínuo dos gastos estatais. “Nenhum país resiste a um risco fiscal crescente sem pagar o preço na curva de juros e na cotação do câmbio”, alerta o economista.
 
Charles explica que a pressão sobre o lado fiscal tem empurrado o dólar para cima e forçado o Banco Central a manter a Selic em patamares elevados por mais tempo, reduzindo a atratividade da renda variável e fortalecendo os títulos de renda fixa. Mendlowicz destaca ainda que, diante do ambiente de dúvidas, “o capital não aceita desaforo e migra de uma bolsa para outra”.
 
Queda no poder de compra é sentida no cotidiano
 
Apesar dos relatórios oficiais apontarem desaceleração do IPCA em julho, Mendlowicz enfatiza que a população e os investidores sentem no cotidiano uma perda expressiva do poder de compra. A inflação implícita e o custo de vida elevado mantêm a pressão sobre as famílias e o setor produtivo.
 
“Essa dinâmica de juros restritivos e consumo reprimido atinge diretamente o setor de comércio. Há uma contradição entre discursos de recuperação e a realidade de gigantes do varejo, que enfrentam fechamento de lojas físicas, demissões de funcionários e reestruturações severas para conter prejuízos”, pontua o Economista Sincero.
 
Oportunidades em meio à volatilidade do mercado
 
Apesar do tom de alerta com a trajetória das contas públicas nos próximos anos, o economista lembra que momentos de estresse acentuado costumam abrir janelas de oportunidade para investidores disciplinados.
 
“Quando todo mundo está com medo, costuma ser a melhor hora de aportar”, pontua Mendlowicz, destacando que a volatilidade tende a se intensificar em períodos de incerteza política, exigindo cautela, diversificação de carteira e visão de longo prazo.
 
Para Charles Mendlowicz, a reorganização fiscal é a única saída para recuperar a confiança do mercado. “O fiscal tem que ser prioridade. O governo precisa gastar menos do que arrecada, porque juro alto encarece o financiamento e pressiona toda a economia”, conclui.
 
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
 
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir". Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.  

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