Escala 6x1 avança no Senado e mobiliza sindicatos de Rio Preto
Proposta aprovada pela Câmara prevê jornada de até 40 horas, cinco dias de trabalho e salário mantido; entidades da região defendem proteção ao emprego e à renda
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O fim da escala 6x1 avançou no Congresso. Na sexta-feira (14), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encaminhou a proposta para análise das comissões da Casa. A matéria já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e prevê jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias, sem redução salarial.
A mudança seria gradual. Dois meses após uma eventual promulgação, o limite atual de 44 horas cairia para 42 horas semanais. Depois de 14 meses, chegaria às 40 horas.
Levantamento do Dieese, com base na Rais de 2024, estima que cerca de 15 milhões de trabalhadores formais com jornada de 44 horas semanais estejam hoje na escala 6x1. O modelo prevê seis dias de trabalho para uma folga e, dependendo da atividade, pode incluir finais de semana, feriados e turnos alternados.
Em Rio Preto e região, dirigentes sindicais defendem que a redução da jornada seja acompanhada de garantias para quem está empregado. O presidente do Sindalquim, João Pedro Alves Filho, afirma que a mudança pode melhorar a rotina dos trabalhadores sem ignorar a realidade das empresas.
“É possível manter a atividade econômica e, ao mesmo tempo, garantir uma rotina mais equilibrada para quem trabalha. Saúde, família e vida pessoal também precisam fazer parte dessa conta”, afirma Alves Filho.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Rio Preto, Tiago Gonçalves Pereira, a redução não pode vir acompanhada de perda de renda. “Reduzir a jornada é uma forma de valorização, mas esse avanço precisa preservar salário, emprego e direitos. O trabalhador não pode pagar a conta dessa transição”, diz Pereira.
Setores industriais que funcionam de forma ininterrupta podem exigir adaptações nas escalas e na organização das equipes. Alves Filho diz que essas particularidades precisam ser consideradas, mas sem esvaziar a mudança.
“Cada atividade tem sua realidade. O caminho é construir regras viáveis para as empresas, mas que representem uma melhora concreta na vida do trabalhador”, afirma.
Pereira também defende participação dos sindicatos na construção das novas regras. “Quem vive essa rotina todos os dias precisa ser ouvido. O diálogo é fundamental para que a mudança funcione na prática”, diz.
A proposta ainda passará pelas comissões do Senado antes de uma eventual votação em plenário. Para os sindicatos da região, o ponto central é garantir que uma nova organização da jornada represente ganho real para o trabalhador, sem redução salarial ou perda de direitos.
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Henrique Fernandes
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