Luciene Weiland: Viva Arouche: A Casa Respira História, Arte e Resistência

Por ZENAIDE DOS SANTOS SA
10 Min

Luciene Weiland: Viva Arouche: A Casa Respira História, Arte e Resistência
Foto: Divulgação Pública enviada por Izabel Cristina jornalista

VivaArouche: casarão histórico de 1905 no centro de São Paulo une memória negra, arte, café e gastronomia ancestral, um Espaço multicultural instalado na Rua do Arouche transforma patrimônio histórico em lugar de encontros, exposições, culinária indígena e valorização de narrativas negras, migrantes e populares.

 Em meio a emtrevista sobre o Csarão, Luciene, explicou sobre a reocupação, a segurança, a revitalização e o futuro do centro de São Paulo, ele foi construído em 1905, situado na Rua do Arouche, 126, na República, e vem se consolidando como ponto de resistência cultural, convivência e preservação da memória urbana. O Casarão Multicultural Espaço Viva Arouche reúne exposições, café cultural, lançamentos de livros, palestras, encontros artísticos, gastronomia ancestral e ações voltadas à valorização de diferentes identidades.
À frente do projeto está a historiadora e cantora lírica Luciene Weiland, nascida em Campina Grande, na Paraíba. Ela e seu sócio o repórter fotográfico, barista e produtor de café Roberto Esteves, estão transformando o casarão em um espaço aberto à coletividade, à criação artística e à partilha de saberes.

O VivaArouche propõe uma ocupação cultural que vai além da recuperação física de um imóvel antigo. A casa funciona como espaço de representação coletiva, reunindo artistas, educadores, jornalistas, escritores, artesãos, produtores culturais, pesquisadores, cozinheiros e frequentadores de diferentes regiões do Brasil e também turistas internacionais. “Esta casa pertence a todos nós. É um espaço de resistência, arte, memória e acolhimento para quem quiser somar forças à nossa luta”, afirma Luciene Weiland.

Café, memória negra e resistência

Um dos principais destaques do espaço é a exposição “Mãos Negras é o Café”, idealizada e curada por Roberto Esteves. A mostra propõe uma reflexão sobre o legado ancestral das pessoas negras que historicamente trabalharam no cultivo, na colheita e na produção de café no Brasil.
Por meio de fotos, registros de pessoas que possuem ancestrais ligadas à cultura cafeeira, a exposição evidencia a presença negra em uma cadeia econômica fundamental para a formação do país, mas frequentemente tratada de forma insuficiente nos relatos tradicionais sobre o café brasileiro.
Roberto Esteves une, em sua trajetória, a fotografia, o jornalismo, a produção cafeeira e a curadoria. No Viva Arouche, o café não é apenas servido: ele se torna instrumento de memória, valorização do trabalho, debate racial e aproximação entre arte e cotidiano.
A exposição dialoga com uma das questões centrais do espaço: quem ocupa os lugares de memória, quais histórias são preservadas e como a cultura pode contribuir para combater o apagamento de sujeitos e comunidades que participaram ativamente da construção do Brasil.

Patrimônio vivo no Largo do Arouche

Construído em 1905, o casarão do VivaArouche atravessou mais de um século de transformações no centro paulistano. Ao longo de sua trajetória, o imóvel teve diferentes usos, funcionando como residência, pensão, armazém comercial e, posteriormente, como espaço cultural e gastronômico.
O imóvel está situado no perímetro histórico do Largo do Arouche e da Vila Buarque, em área de proteção patrimonial acompanhada pelo CONPRESP, Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, e pelo CONDEPHAAT, Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo. A proteção patrimonial da região busca preservar elementos importantes da paisagem urbana do centro histórico, como gabarito, recuos, volumetria e características arquitetônicas dos imóveis.
Entre 2017 e 2019, com novas intervenções realizadas entre 2024 e 2025, o casarão passou por um processo de restauro e adequação de uso. As obras priorizaram a conservação de janelas, portas de madeira, vedações e vãos estruturais originais de 1905, além de melhorias elétricas, hidráulicas e de acabamento necessárias para receber eventos, exposições, apresentações artísticas e experiências gastronômicas.
As intervenções mantiveram a fachada e a volumetria originais, respeitando as diretrizes de preservação do imóvel e do entorno histórico. Um dos elementos valorizados no processo foi o piso original de peroba rosa, deteriorado pelo tempo e recuperado com dedicação por Luciene Weiland.
Como historiadora, Luciene enxergou no casarão a possibilidade de criar uma casa viva, que preservasse o passado sem transformar o patrimônio em peça intocável. “Quando vi o casarão, me apaixonei. Percebi imediatamente o potencial daquele espaço”, relembra.

Saberes indígenas e gastronomia ancestral

A cozinha é outro eixo de destaque no Viva Arouche. A responsável pelo espaço gastronômico é Xondara Munduruku, mulher indígena de Manaus, com passagem por Belém e formação em Pedagogia. Em seus preparos, ingredientes como inhame, amendoim, caju e alimentos tradicionais são apresentados como parte de uma cultura alimentar que preserva memória, território e ancestralidade.
A proposta gastronômica do VivaArouche valoriza alimentos frescos, carnes, peixes, mandioca, farinha, tucupi, queijos selecionados, dentre outros, além de reduzir a presença de produtos industrializados e açúcares refinados. Mais do que servir refeições, a cozinha se propõe a criar experiências culturais e educativas sobre a origem dos alimentos, os conhecimentos tradicionais e a relação entre alimentação, saúde e meio ambiente.
A atuação de Xondara aproxima o público de referências indígenas que, muitas vezes, permanecem invisibilizadas na gastronomia urbana. Sua presença reforça a proposta do VivaArouche de ser uma casa onde as diferenças se encontram e onde cada atividade carrega uma história.

Uma rede de arte e acolhimento

O VivaArouche é sustentado por uma rede de colaboradores e curadores de diferentes áreas. Entre eles estão Nadia, gerente e curadora do espaço; Roberto Esteves, sócio, repórter fotográfico e curador da exposição Mãos Negras é o Café; e o escritor, diretor, cronista e roteirista Hussein Said Chahrour, que atua na curadoria do casarão.
A casa já recebeu lançamentos de livros, palestras, exposições de esculturas de orixás em grande escala, atividades de coletivos culturais, encontros literários e mostras de artistas visuais, por exemplo as obras em exposição denominadas: Entidades em Turquesa, do artista visual Vick Manvc. Entre os trabalhos exibidos estão obras que dialogam com espiritualidade, identidade, arte popular e memória afro-brasileira.
A proposta do VivaArouche também se relaciona com a trajetória pessoal de Luciene Weiland. Depois de viver na Alemanha, onde teve contato com referências do design europeu e do movimento Bauhaus, ela retornou ao Brasil com o desejo de construir um espaço que unisse estética, cultura, história e convivência.
Hoje, o casarão representa uma alternativa de ocupação cultural independente no centro de São Paulo. Sem apoio governamental nestes primeiros anos de funcionamento, o projeto busca consolidar sua programação, sua equipe e sua identidade antes de ampliar parcerias e buscar novos mecanismos de sustentabilidade. Por estes motivo, medidas e precauções.
  • Reocupação cultural e afetiva do centro de São Paulo
  • Preservação de patrimônio histórico por meio da cultura
  • O Casarão de 1905 ganhou um novo olhar, sem perder as características originais
  • A presença negra na história da produção de café no Brasil
  • Exposição Mãos Negras é o Café e o debate sobre memória e apagamento histórico
  • Protagonismo feminino na gestão de espaços culturais
  • Gastronomia indígena, ancestralidade e educação alimentar
  • Arte independente, economia criativa e redes de acolhimento
  • O Largo do Arouche como território de diversidade, cultura e convivência

Fontes disponíveis para entrevista

Luciene Weiland, Historiadora, cantora lírica e gestora do Casarão Multicultural Espaço VivaArouche
Roberto Esteves, Repórter fotográfico, barista, produtor de café, sócio do VivaArouche e idealizador da exposição Mãos Negras é o Café
Xondara Munduruku, Responsável pela cozinha e pelas experiências gastronômicas ancestrais do espaço
Nadia, Gerente e curadora do VivaArouche
Hussein Said Chahrour, Escritor, diretor, cronista, roteirista e curador do casarão

Serviço

Casarão Multicultural Espaço VivaArouche
Rua do Arouche, 126, República, São Paulo/SP

Imagens disponíveis para imprensa: fotografias da fachada e do interior do casarão, elementos arquitetônicos preservados, exposição Mãos Negras é o Café, obras de arte, café cultural, gastronomia e atividades realizadas no espaço leia mais em. [New Art Cultura Mundi: Luciene Weiland: Viva Arouche: A Casa Respira História, Arte e Resistência].

Zenaide dos Santos S. Aguilar
Jornalista  Colunista


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ZENAIDE DOS SANTOS
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FONTE: https://zenaidedossantossacultura.blogspot.com/2026/08/luciene-weiland-vivaarouche-casa.html
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