Cerca de 450 currículos por dia: por que ainda é difícil preencher vagas?
Rio Preto criou 3.899 empregos no primeiro semestre, mas o desencontro entre experiência, salário, perfil e interesse dificulta as contratações
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Encontrar candidatos não é necessariamente o maior problema enfrentado pelas empresas na hora de contratar. Cerca de 450 currículos chegam diariamente à base da MaZa Agência de Empregos, que seleciona profissionais para companhias de diferentes setores em Rio Preto e região. O volume, no entanto, não resolve as vagas automaticamente. É preciso conciliar experiência, perfil, pretensão salarial, horário e interesse pelo trabalho oferecido. O cenário chama a atenção em uma cidade que continua abrindo postos de trabalho. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, mostram que Rio Preto terminou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 3.899 empregos formais. Serviços lideraram a geração de vagas, com 2.127 postos, seguidos pela construção civil, com 1.538. Para a psicóloga Marina Zanurco, da MaZa Agência de Empregos, ter muitos candidatos não significa encontrar rapidamente o profissional procurado. “A contratação acontece quando perfil, experiência, pretensão salarial e interesse pela vaga conseguem se encontrar”, afirma. Currículos incompletos ou enviados sem atenção aos requisitos dificultam a triagem. A falta de informações sobre as atividades realizadas também pode deixar de fora um profissional com experiência compatível. As empresas também têm responsabilidade nesse desencontro. Exigências muito amplas, demora na resposta e falta de clareza sobre salário, jornada e atribuições reduzem as chances de contratação. Para funções de entrada, cobrar experiência extensa pode eliminar pessoas com formação e disposição para aprender. “A empresa precisa definir o que é indispensável e o que pode ser desenvolvido depois da contratação”, diz Marina. Jovens esbarram na falta de experiência O problema é maior para quem tenta entrar no mercado. Uma pesquisa da Fundação Itaú com 1.816 brasileiros de 16 a 29 anos mostrou que 49% consideram a falta de experiência a principal dificuldade para conseguir emprego. O salário foi citado por 64% como o fator mais importante na escolha de um trabalho, mas 60% aceitariam ganhar um pouco menos para atuar em um ambiente com menos pressão e estresse. Segundo Marina, a remuneração continua central, mas divide espaço com a rotina, o ambiente e as perspectivas oferecidas pela empresa. Quem ainda não teve emprego formal pode incluir no currículo cursos, projetos acadêmicos, trabalhos voluntários e atividades informais. Essas experiências ajudam a demonstrar conhecimentos e habilidades. Orientação gratuita a estudantes Profissional de recursos humanos desde 2004, Marina fundou a MaZa Agência de Empregos em 2011. Ela também realiza palestras gratuitas em escolas e faculdades de Rio Preto e região sobre empregabilidade, currículo, recolocação profissional e comportamento em entrevistas. “Muitos estudantes chegam ao mercado sem saber como apresentar o que já fizeram. Levar essa orientação às instituições de ensino aproxima os jovens da realidade das empresas”, afirma. O cadastro de currículos no site da MaZa Agência de Empregos é gratuito. A orientação é manter os dados atualizados e detalhar todas as experiências. Empresas também podem informar as vagas abertas e o perfil procurado.
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