Por que é tão difícil mudar hábitos que sabemos que nos fazem mal?

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Albino Bonomi é médico obstetra e escritor

*Por que é tão difícil mudar hábitos que sabemos que nos fazem mal?*

 

Saber que determinado hábito faz mal nem sempre é suficiente para conseguir mudá-lo. A pessoa pode reconhecer que procrastina, que se alimenta mal, que permanece em um relacionamento que a prejudica, que trabalha além dos próprios limites ou que repete comportamentos que gostaria de deixar para trás. Mesmo assim, no dia seguinte, tudo pode acontecer novamente.

 

Para o médico obstetra e escritor Albino Bonomi, a dificuldade de mudar está justamente no fato de que muitos comportamentos não são apenas decisões racionais, mas fazem parte de padrões construídos ao longo da vida.

 

“Existe uma diferença muito grande entre saber que algo nos faz mal e estar emocionalmente preparado para abrir mão daquele comportamento. Muitas vezes, a pessoa conhece perfeitamente as consequências, mas continua repetindo porque aquele hábito também cumpre alguma função dentro da sua vida”, explica Bonomi.

 

Segundo o médico, a repetição pode oferecer uma espécie de conforto, mesmo quando produz sofrimento. É o caso de quem procrastina uma tarefa importante e sente alívio momentâneo ao adiá-la, de quem permanece em uma relação conhecida apesar dos conflitos ou de quem utiliza a comida, o trabalho ou outras atividades como formas de compensação emocional.

 

“O ser humano tende a buscar aquilo que é conhecido. Até um comportamento prejudicial pode oferecer uma sensação de segurança, porque já sabemos como ele funciona. Mudar significa enfrentar o desconhecido e, muitas vezes, olhar para questões que preferimos evitar”, afirma.

 

*Procrastinação também pode esconder conflitos*  

A procrastinação é um dos exemplos mais comuns. Embora frequentemente seja interpretada como preguiça ou falta de disciplina, o adiamento constante pode estar relacionado ao medo de fracassar, à necessidade de perfeição ou à dificuldade de lidar com determinadas responsabilidades.

 

Para Bonomi, compreender o motivo da repetição é tão importante quanto tentar interrompê-la.

 

“Quando simplesmente dizemos ‘eu preciso parar de fazer isso’, estamos olhando apenas para o comportamento. É preciso perguntar também: por que eu faço isso? O que estou tentando evitar? O que esse comportamento representa para mim? Sem essa reflexão, é muito fácil trocar um hábito por outro ou voltar ao padrão anterior”, observa.

 

*O passado participa das escolhas do presente*  

Em seu livro O Ciclo Gestatório de um Homem, Bonomi utiliza a própria trajetória de vida como ponto de partida para refletir sobre diferentes fases da existência, relações, experiências, formação emocional e busca pelo autoconhecimento.

 

A obra também sustenta uma reflexão sobre como a história de cada indivíduo participa da construção da pessoa que ele se torna.

 

“Somos resultado de uma história. Não começamos a existir emocionalmente no momento em que nos tornamos adultos. Carregamos experiências, aprendizados, medos, expectativas e maneiras de nos relacionar que foram sendo construídas ao longo do tempo. Por isso, algumas mudanças exigem mais do que força de vontade: exigem autoconhecimento”, afirma o escritor.

 

*Mudar não significa se transformar de um dia para o outro*  

Na avaliação do obstetra, a mudança de hábitos precisa ser encarada como um processo. A consciência é importante, mas precisa ser acompanhada de disposição para reconhecer padrões e assumir responsabilidade pelas próprias escolhas.

 

“Talvez a pergunta mais importante não seja apenas ‘por que eu não consigo mudar?’, mas ‘o que eu ganho e o que eu perco permanecendo como estou?’. Quando conseguimos responder honestamente a essa pergunta, começamos a compreender o que mantém determinados comportamentos”, conclui Bonomi.

 

A reflexão sobre hábitos, escolhas e autoconhecimento está presente em O Ciclo Gestatório de um Homem, livro de Albino Bonomi que percorre diferentes etapas da existência humana e propõe uma reflexão sobre a trajetória pessoal e a busca por compreender quem somos e como nos tornamos aquilo que somos.

 

*Sobre a obra:*

 

O Ciclo Gestatório de um Homem

https://clubedeautores.com.br/livro/o-ciclo-gestatorio-de-um-homem