Por Luiz Augusto Gimenez Quartin – Empresário, investidor e entusiasta dos esportes
Foi acompanhando minha própria filha na ginástica artística que comecei a olhar para o esporte infantil de outra maneira. Por muito tempo, pensei nele como uma sequência bastante conhecida: escolher uma modalidade, treinar, aprender, evoluir e, eventualmente, competir.
Mas a experiência de acompanhar treinos, competições, viagens e a convivência com outras famílias mostrou que havia muito mais acontecendo. O esporte estava ensinando coisas que não cabiam em uma tabela de resultados.
Apesar da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que crianças e adolescentes de 5 a 17 anos façam, em média, pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia, nosso público infanto juvenil está conseguindo colocar isso em prática?
Infelizmente, ainda estamos longe do cenário ideal. Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do IBGE, mostram que apenas 30,6% dos estudantes de 13 a 17 anos eram considerados fisicamente ativos, ou seja, acumulavam pelo menos 300 minutos de atividade física na semana anterior à pesquisa. Outros 58,4% eram insuficientemente ativos e 9,7% não haviam praticado nenhuma atividade física.
Precisamos fazer com que o movimento seja interessante, que a criança queira participar e que o esporte seja associado à descoberta, à convivência e ao prazer, e não apenas à obrigação ou à cobrança por desempenho.
Foi tendo tudo isso em mente que nasceu a ideia de criar, em Brasília, um espaço pensado para ampliar o papel do esporte no desenvolvimento infantil. Com dois mil metros quadrados, o empreendimento tem inauguração prevista para novembro, o que me deixa muito feliz. A proposta reúne ginástica artística, jiu-jítsu, atividades voltadas à primeira infância, desenvolvimento cognitivo e iniciativas de inclusão social, integrando esporte, desenvolvimento e convivência em um mesmo ambiente.
Na ginástica artística, por exemplo, vamos construir uma jornada que comece na iniciação e possa chegar ao alto rendimento, quando houver talento e, principalmente, vontade da própria criança e da família. Nesse processo contamos com a experiência de Georgette Vidor, uma das grandes referências da ginástica brasileira, e com a metodologia que tem como referência a Escola de Esportes do Flamengo.
No jiu-jítsu, a proposta, construída com a metodologia da multicampeã mundial Kyra Gracie e do ator e faixa-preta Malvino Salvador, também parte dessa visão mais ampla. A modalidade pode ensinar técnica e condicionamento, mas pode igualmente trabalhar disciplina, autoconfiança, respeito e capacidade de lidar com desafios.
Essa oportunidade, no entanto, não deve ser privilégio de quem pode pagar por ela. Por isso, desde o início do projeto, pensamos também em mecanismos capazes de ampliar o acesso de crianças e jovens, por meio de bolsas e iniciativas de inclusão.
A própria Lei de Incentivo ao Esporte mostra que essa discussão vem ganhando escala no país. Em 2024, foram apresentados 6.664 projetos ao mecanismo, um crescimento de 119% em relação a 2022. Até o início de dezembro daquele ano, mais de 1 milhão de pessoas já haviam sido beneficiadas, segundo o Ministério do Esporte.
Mais do que números, esses dados ajudam a mostrar uma mudança de perspectiva: o esporte vem sendo reconhecido não apenas como prática física ou competição, mas como uma ferramenta de educação, inclusão e desenvolvimento social
Precisamos parar de perguntar tão cedo qual esporte essa criança vai praticar? e começar a perguntar que oportunidades podemos oferecer para ajudá-la a descobrir quem ela pode ser?
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DINA CLEISE DE FREITAS
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