Pai Wellington Luís é eleito vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia para o biênio 2026/2027

Babalorixá e liderança dos povos tradicionais de matriz africana assume a vice-presidência do CEC/BA, levando a ancestralidade, a cultura de terreiro e as pautas do movimento da Malandragem aos espaços de decisão da política cultural baiana.

Por AMAZON COMUNIC
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SALVADOR – O Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC/BA) elegeu, na manhã desta quinta-feira (25), durante sua 12ª reunião ordinária, o Babalorixá Pai Wellington Luís, conhecido no santo como Babá Alá Piti Oke, como novo vice-presidente da instituição para o biênio 2026/2027. A eleição marca um novo capítulo na trajetória de uma das lideranças atuantes na defesa dos povos tradicionais de matriz africana na Bahia. Presidente do Santuário de Zé Pelintra Salvador, articulador do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Fonsanpotma) e referência do movimento da Malandragem, Pai Wellington passa a integrar a vice-presidência de um dos principais espaços de participação e deliberação das políticas culturais do estado. Mais do que uma conquista institucional, a chegada ao cargo representa a ampliação da presença das culturas de matriz africana, das tradições religiosas e das manifestações populares nos espaços de construção das políticas públicas culturais.
Ancestralidade que atravessa gerações Nascido em 1º de abril de 1974, em Fazenda Grande do Retiro, em Salvador, Pai Wellington Luís cresceu sob a influência das avós maternas, ambas candomblecistas, que tiveram papel fundamental na formação de sua identidade espiritual. Aos sete anos de idade, teve sua ancestralidade e seu futuro papel religioso revelados pelo babalorixá Jorge Teles Sobosso, da tradição Sobosso. A partir dessa conexão com a espiritualidade e os saberes ancestrais, construiu uma trajetória que hoje une liderança religiosa, mobilização social e atuação cultural. À frente do Santuário de Zé Pelintra Salvador, Pai Wellington transformou o espaço em um ambiente de acolhimento, preservação das tradições, promoção cultural e enfrentamento à intolerância religiosa. Sua atuação também se estende para além dos limites do terreiro, com participação ativa nas pautas de reconhecimento, direitos e reparação dos povos de matriz africana.
Cultura, segurança alimentar e valorização dos povos tradicionais Como articulador político municipal do Fonsanpotma, Pai Wellington atua na defesa da segurança alimentar e nutricional dos povos tradicionais de matriz africana, com foco no acesso à alimentação, na dignidade e no reconhecimento das comunidades de terreiro. Na Bahia, também lidera o Movimento Zé Pelintra e é uma das referências do movimento da Malandragem, articulando espiritualidade, cultura popular e mobilização social. Sua atuação contribui para ampliar o reconhecimento dessas expressões como parte da diversidade cultural brasileira e do patrimônio de saberes construídos nas comunidades. Conselheiro estadual de Cultura pelo segmento Cultura e Ritos, Pai Wellington já participava das discussões sobre as políticas culturais baianas, defendendo a valorização de quem produz e mantém a cultura viva nos territórios, nas comunidades tradicionais e nas manifestações populares. A experiência acumulada entre o terreiro, os movimentos sociais e os espaços institucionais passa agora a integrar sua atuação na vice-presidência do CEC/BA.
Ancestralidade nos espaços de decisão Ao assumir a vice-presidência do Conselho Estadual de Cultura, Pai Wellington Luís amplia a representatividade das comunidades tradicionais de matriz africana em um espaço estratégico para o debate e a construção das políticas culturais da Bahia. Sua eleição também coloca em evidência a importância de reconhecer os terreiros, o samba, as tradições religiosas e as manifestações da cultura popular como expressões fundamentais da identidade baiana. Para o novo vice-presidente, a oportunidade de ocupar uma posição de liderança no Conselho está diretamente conectada à trajetória de luta e resistência dos povos tradicionais, que historicamente reivindicam reconhecimento, respeito e participação nas decisões públicas. No biênio 2026/2027, a presença de Babá Alá Piti Oke na vice-presidência do CEC/BA representa a continuidade de uma caminhada construída na ancestralidade e no compromisso com a cultura, a diversidade e os direitos dos povos de matriz africana. Uma trajetória que sai das raízes de Fazenda Grande do Retiro, atravessa os saberes do terreiro e chega a um dos espaços institucionais da cultura baiana, levando consigo as vozes e as histórias de comunidades que mantêm viva a memória cultural do estado.

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