Nutracêuticos avançam entre inovação e regulação

Entre novos ingredientes, avanços tecnológicos e mudanças regulatórias, setor busca transformar pesquisa científica em produtos seguros e competitivos

Por JéSSICA DA CONCEIçãO
6 Min

Future Pharma

O desenvolvimento de ingredientes bioativos, probióticos, vitaminas, minerais e outras soluções voltadas à complementação da dieta amplia as possibilidades do mercado de nutracêuticos e suplementos alimentares. Para transformar esse potencial em produtos seguros, estáveis e competitivos, porém, as empresas precisam superar desafios que envolvem pesquisa e desenvolvimento (P&D), capacidade produtiva, controle de qualidade e adequação regulatória.
Essas transformações estarão entre os temas discutidos no Future Pharma 2026, que acontece em 21 de outubro, em São Paulo (SP), e reúne profissionais, executivos e empresas para debater os desafios e as oportunidades dos setores farmacêutico, biotecnológico, cosmético, nutracêutico e de cuidados pessoais.
Mercado de suplementos amplia oportunidades
No Brasil, o avanço do segmento acompanha a expansão do mercado de alimentos para fins especiais. Segundo dados compilados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD), o consumo aparente de dietéticos cresceu 4,2% em 2025, enquanto o segmento de complementos alimentares, suplementos vitamínicos, produtos funcionais e nutrição enteral avançou 3,7% no mesmo período.
O crescimento, entretanto, traz uma questão que vai além da demanda dos consumidores: como transformar uma descoberta científica ou um novo ingrediente em um produto seguro, eficaz, estável e competitivo em escala industrial?
Para chegar ao mercado, uma solução precisa percorrer diferentes etapas, que incluem pesquisa e desenvolvimento, avaliação de segurança, seleção e padronização de matérias-primas, controle de qualidade, estrutura produtiva e atendimento às exigências regulatórias.
Regulação ganha papel estratégico
O ambiente regulatório dos suplementos alimentares também passa por mudanças. A partir de setembro de 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começou a receber notificações de produtos da categoria, conforme o modelo estabelecido pela RDC 843/2024 e pela Instrução Normativa (IN) 281/2024. Para os produtos que já estavam no mercado, foi estabelecido prazo de adequação até setembro de 2025.
A mudança busca ampliar a segurança e a qualidade dos produtos, além de estruturar uma base de informações que contribua para as ações de monitoramento e fiscalização após a entrada no mercado.
Fiscalização evidencia desafios de qualidade
A regularização sanitária é um dos pontos de atenção para as empresas do setor. Entre as irregularidades identificadas pela Anvisa estão o uso de ingredientes não autorizados, a ausência de estudos de estabilidade e problemas relacionados à comprovação da segurança e à qualidade dos produtos.
Essas exigências tornam o desenvolvimento técnico e o controle de qualidade etapas fundamentais para a competitividade. Em um mercado que busca ampliar seu portfólio e incorporar novos ingredientes, garantir que os produtos mantenham suas características ao longo do prazo de validade é tão importante quanto identificar novas oportunidades de inovação.
Inovação precisa de evidências científicas
A inovação no segmento não depende apenas da descoberta de novos ativos. A avaliação de novos ingredientes envolve aspectos como segurança, composição, processo produtivo, mecanismo de ação e histórico de consumo.
Transformar um ingrediente com potencial biológico em uma solução comercial também exige etapas de desenvolvimento que podem incluir caracterização, estudos de estabilidade e avaliação da biodisponibilidade. As evidências necessárias variam conforme as características do ingrediente, a finalidade do produto e as alegações pretendidas.
A capacidade de demonstrar segurança, manter a qualidade e atender aos requisitos sanitários é, portanto, um diferencial para empresas que buscam competir em um mercado cada vez mais exigente.
Ciência, indústria e regulação mais próximas
O próximo ciclo do setor deve ampliar a conexão entre pesquisa, biotecnologia, indústria de ingredientes, alimentos, farmacêutica e regulação. O desafio deixa de ser apenas identificar novos produtos com potencial comercial e passa a envolver a capacidade de desenvolver soluções respaldadas por evidências científicas, produzir em escala e atender às exigências de qualidade e segurança.
Esse cenário também amplia o debate para além do setor farmacêutico tradicional. No Future Pharma 2026, temas como Digitalização e Impactos no Ciclo de Vida de Ativos — Estudo de Caso, da Nordika, e A Revolução Digital Farmacêutica: Automação, Digitalização e IA, da Nutis e Rockwell dialogam com questões relacionadas à tecnologia, aos processos industriais e à evolução da cadeia produtiva.
“Os nutracêuticos mostram como a evolução da indústria depende cada vez mais da conexão entre ciência, tecnologia, desenvolvimento de ingredientes e ativos e as novas demandas dos consumidores. A proposta do Future Pharma é criar um ambiente para promover uma discussão sobre os desafios e as oportunidades para transformar conhecimento científico e inovação em soluções capazes de acompanhar o crescimento desse mercado”, afirmam Luis Alberto Veiga e Rafael Botari, idealizadores do evento
  Future Pharma 2026
Data: 21 de outubro de 2026
Horário: das 7h45 às 19h40
Local: Pullman & Grand Mercure
Endereço: Rua Olimpíadas, 205 – Vila Olímpia, São Paulo (SP)
Inscrições:
https://futurepharma.net.br

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): Jéssica da Conceição
jessica@scritta.com.br

FONTE: Scritta - Serviço de Notícia