Mudanças bruscas de temperatura aumentam risco de AVC

A cada minuto sem tratamento, células cerebrais podem sofrer danos permanentes; neurologista do Hospital Santa Catarina - Paulista explica como identificar os sintomas

Por BERNARDO BRUNO
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O acidente vascular cerebral (AVC) é uma emergência médica em que o intervalo entre o início dos sintomas e o atendimento pode influenciar as chances de recuperação e o risco de sequelas. Boca torta, fala enrolada, perda de força em um lado do corpo, alteração súbita da visão e confusão mental são sinais que exigem ação imediata. Nesses casos, a orientação é buscar um serviço de urgência o mais rápido possível, mesmo que haja uma aparente melhora. 

A agilidade é especialmente importante nos casos em que uma artéria cerebral é obstruída e o fluxo sanguíneo para o cérebro é interrompido. “Tempo é cérebro. Quanto mais cedo o paciente chega ao hospital, maior a chance de preservar tecido cerebral que ainda pode ser salvo”, explica o Dr. Maurício Hoshino, neurologista do Hospital Santa Catarina - Paulista. A expressão resume o impacto do atraso no atendimento: a cada minuto sem tratamento, células cerebrais podem sofrer danos permanentes, com efeitos sobre movimentos, fala, visão e outras funções neurológicas.

Um estudo clássico publicado na revista Stroke estimou que, em casos de AVC isquêmico provocado pela obstrução de um grande vaso e sem tratamento, milhões de neurônios podem ser perdidos a cada minuto. O dado reforça a relação direta entre o tempo de atendimento e o prognóstico. Ao redor da área central atingida existe uma região de tecido cerebral que ainda pode ser recuperada. A manutenção da circulação nessa área depende da rapidez com que o fluxo sanguíneo é restabelecido.

Frio e calor intensos aumentam o risco

Períodos de frio e calor intensos podem aumentar o risco de eventos cerebrovasculares. Mudanças bruscas de temperatura influenciam a pressão arterial e outros fatores do organismo, o que contribui para a ocorrência de AVC em algumas pessoas. Diante dessa possibilidade, a orientação é simples e deve ser seguida à risca: reconhecer os sinais e buscar ajuda imediatamente.

Um grande estudo internacional publicado no JAMA em 2024, que analisou mais de 2 mil pacientes submetidos a tratamento de reperfusão, reforçou que a velocidade do atendimento está diretamente associada a melhores desfechos funcionais. Os pesquisadores observaram que pacientes tratados mais precocemente apresentaram maior chance de recuperação independente, especialmente quando a intervenção foi realizada dentro das primeiras horas após o início dos sintomas.

O tratamento do AVC evoluiu e hoje existem abordagens que podem ajudar a restabelecer o fluxo sanguíneo no cérebro, como medicamentos e procedimentos que removem o bloqueio em casos selecionados. No entanto, essas intervenções dependem diretamente do tempo. “Não é seguro tentar decidir em casa se ainda há prazo para tratamento. Essa avaliação deve ser feita em ambiente hospitalar”, reforça o Dr. Hoshino.

Nenhum sintoma deve ser ignorado

Mesmo quando os sintomas desaparecem em pouco tempo, o episódio não deve ser ignorado. Em alguns casos, isso pode indicar um alerta temporário do organismo, que ainda assim precisa ser investigado para evitar novos eventos mais graves. “Mesmo que os sintomas melhorem, o paciente deve ser avaliado com urgência, uma vez que pode ter ocorrido um ataque isquêmico transitório”, orienta o especialista.

Um dos desafios é reconhecer que nem sempre o AVC se apresenta de forma intensa. Qualquer alteração neurológica súbita deve ser valorizada, como dificuldade para falar, perda de força, desequilíbrio, confusão mental ou perda parcial da visão. Outro ponto importante é que o AVC não acontece apenas em pessoas idosas. Adultos jovens também podem ser afetados, especialmente quando há condições de saúde não diagnosticadas ou fatores de risco específicos.


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