AVC: prevenção e reabilitação são fundamentais para reduzir impactos da doença

Além do risco de morte, o AVC pode deixar sequelas que comprometem a autonomia e a capacidade de trabalho, tornando a reabilitação e a continuidade do cuidado fundamentais para a recuperação.

Por VINICIUS CARRILHO
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O acidente vascular cerebral (AVC) provocou 89.490 mortes no Brasil em 2025, segundo dados de registros de óbitos em cartórios compilados pela Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC). Entre janeiro e março de 2026, foram registrados outros 20.461 óbitos pela doença, de acordo com o Portal da Transparência do Registro Civil. Além do risco à vida, a doença pode comprometer a autonomia dos pacientes, afetar a capacidade de trabalho e exigir mudanças na rotina. A recuperação depende da gravidade do quadro e pode envolver um processo prolongado de reabilitação.

Os impactos também se estendem ao mercado de trabalho e à economia. Estudo da Firjan SESI estimou que o AVC esteve associado à perda de 161,6 milhões de dias de trabalho no Brasil em 2023. No mesmo período, o impacto econômico chegou a aproximadamente R$ 10,09 bilhões, considerando perdas de produtividade e gastos com benefícios previdenciários relacionados à doença.

Para o Dr. Claudio Albuquerque, diretor executivo médico da MDS Brasil, a rapidez no atendimento e a continuidade do tratamento são determinantes para reduzir as consequências do AVC e favorecer a recuperação dos pacientes.

“O AVC é uma emergência médica, e o tempo até o atendimento faz diferença no prognóstico. A lesão cerebral pode afetar os movimentos, a fala, a memória e outras funções, dependendo da região atingida e da gravidade do quadro. Depois da fase aguda, a recuperação exige atenção. A reabilitação deve começar assim que o paciente apresentar condições clínicas para isso e ser adaptada às suas necessidades, com o acompanhamento de diferentes profissionais. O objetivo é recuperar funções sempre que possível, ampliar a autonomia e ajudar a pessoa a retomar suas atividades cotidianas”, afirma.

Prevenção e reabilitação exigem acompanhamento contínuo

Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e obesidade estão entre os fatores associados ao risco de AVC. O acompanhamento médico e o controle dessas condições são medidas importantes para reduzir o risco da doença, conforme as orientações do Ministério da Saúde.

Após um AVC, a recuperação depende de fatores como a região do cérebro afetada, a extensão da lesão e o tempo transcorrido até o atendimento. Enquanto algumas pessoas conseguem retomar suas atividades em pouco tempo, outras precisam de acompanhamento multidisciplinar, que pode incluir fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

O período de recuperação também pode trazer desafios financeiros, especialmente quando há necessidade de afastamento do trabalho ou mudanças na capacidade de exercer determinadas atividades. Nesse contexto, algumas modalidades de seguros de pessoas podem oferecer proteção financeira para situações específicas, como doenças graves, incapacidade temporária ou invalidez. A disponibilidade dessas coberturas varia conforme o produto contratado e as condições estabelecidas em cada apólice.

O diagnóstico de AVC, por si só, não garante o pagamento de indenização. O eventual direito ao benefício depende da cobertura contratada, dos critérios previstos no contrato e do atendimento às condições exigidas pela seguradora.

Reconhecer os sinais do AVC pode salvar vidas

A identificação dos sintomas e a rapidez no atendimento são fundamentais diante de uma suspeita de AVC. Entre os principais sinais estão fraqueza súbita ou formigamento em um lado do corpo, assimetria facial, dificuldade para falar ou compreender, alterações repentinas da visão e perda de equilíbrio. Dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente, também pode ser um sinal de alerta.

Diante da suspeita, é fundamental acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192. A rapidez no atendimento permite avaliar o quadro e iniciar o tratamento adequado, o que pode reduzir o risco de sequelas e melhorar as possibilidades de recuperação.

O AVC exige uma abordagem que contemple todas as etapas da doença, da prevenção ao tratamento e à reabilitação. Para quem sobrevive a um episódio, o cuidado não termina com a alta hospitalar: a recuperação da autonomia e a retomada da rotina podem exigir acompanhamento contínuo e suporte adequado às necessidades de cada paciente.


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VINICIUS CARRILHO
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