Estudo da United Way Brasil mostra que renda média de jovens periféricos cresceu mais de 70% em 5 anos com programa de inclusão produtiva

Prestes a completar 25 anos de atuação nacional, instituição revela, na prática, o impacto sistêmico de ações articuladas com organizações da sociedade civil, empresas e setor público

Por MAYARA MAMEDE CARDOZO
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Estudo da United Way Brasil mostra que renda média de jovens periféricos cresceu mais de 70% em 5 anos com
Crédito: DIVULGAÇÃO
São Paulo, 17 de junho de 2026O estudo ‘Avaliação de Impacto’, realizado pelo Juventudes Potentes – programa articulado pela United Way Brasil (UWB) – revela os impactos do acesso à inclusão produtiva de jovens em situação de vulnerabilidade na cidade de São Paulo (SP), que participaram da iniciativa nos últimos cinco anos. Realizado pelo Plano CDE, a avaliação aponta aumento de 72% na renda média mensal, de R$ 912,06 para R$ 1.567,26 das juventudes, acompanhado de queda expressiva no percentual de jovens fora do mercado de trabalho (de 74% para 39%) e também daqueles que não buscavam emprego (20%).

Os dados indicam avanços importantes como a formalização do trabalho com 74% dos respondentes que trabalham (45% de todos os entrevistados) atuando com carteira assinada (CLT), índice acima da média nacional, historicamente marcada pela informalidade dessa população. Embora estejam inseridos principalmente em setores como comércio e serviços administrativos (45%), as juventudes demonstram maior interesse por áreas como tecnologia (21%) e saúde (20%).

Em relação ao acesso à formação profissional e acadêmica, cerca de 3 em cada 4 jovens estão estudando, sendo metade no ensino superior, dado expressivo diante das condições socioeconômicas dos jovens ouvidos.

O estudo foi realizado com 600 jovens de 16 a 29 anos que participaram do programa Juventudes Potentes nos últimos 5 anos, por meio de entrevistas telefônicas em julho de 2025. A pesquisa abordou aspectos de perfil socioeconômico, inserção no mercado de trabalho, escolaridade e percepções sobre os benefícios obtidos com a participação nos programas de inclusão produtiva. A análise revelou o impacto direto de formações e oportunidades oferecidas a essa juventude, marcada por interseccionalidades de gênero, raça e território. A maioria dos respondentes tem entre 18 e 24 anos, são mulheres, e se declaram negros residentes das zonas Sul e Leste da capital paulista.

O levantamento mostra os resultados de ações realizadas a partir do Fundo Territórios Transformadores (FTT) – iniciativa que seleciona e apoia organizações sociais nas zonas Leste e Sul da cidade oferecendo subsídios, conexões e formações nos territórios periféricos – e da Rede de Oportunidades (RO), que divulga semanalmente via WhatsApp vagas, cursos e outras oportunidades profissionais selecionadas para jovens-potência que buscam acesso a inclusão produtiva.
O Juventudes Potentes é um movimento que atua com base na metodologia Impacto Coletivo, por meio da cooperação de jovens, empresas, governos e organizações da sociedade civil, para criar oportunidades de desenvolvimento com e para as juventudes e suas comunidades. O programa integra a Global Opportunity Youth Network (GOYN), uma aliança internacional de jovens, empresas, governos e organizações da sociedade civil liderada pelo Instituto Aspen.

O papel das empresas

Para complementar a análise de impacto do programa Juventudes Potentes, foi realizado o estudo Empresas Potentes, com apoio do Estúdio Cais, que reuniu percepções de 8 empresas (Accenture, EY, Lear, Magalu, P&G, PwC, Suzano e Zurich Santander), organizações sociais e jovens sobre boas práticas para a inclusão produtiva. A pesquisa aponta que companhias que integram a inclusão de jovens às estratégias de negócio, com metas claras de diversidade e acompanhamento próximo das lideranças, alcançam melhores resultados em permanência e desenvolvimento profissional.
Entre os principais destaques estão: a necessidade de tornar processos seletivos mais inclusivos e acessíveis, diversificar canais de divulgação de vagas em parceria com organizações sociais, garantir apoio logístico e financeiro para viabilizar a permanência em formações, e estruturar percursos de desenvolvimento contínuo que combinem competências técnicas e socioemocionais das juventudes.

“Os resultados da ‘Avaliação de Impacto’ comprovam que investir nas juventudes é investir em desenvolvimento econômico e social. Nos últimos cinco anos, vimos avanços concretos em empregabilidade, renda e principalmente no potencial que os jovens têm, apesar das barreiras socioeconômicas que os invisibilizam. O estudo Empresas Potentes reforça que as empresas têm papel decisivo nesse processo, ao adotar práticas mais inclusivas de formação, recrutamento e desenvolvimento de talentos. A inclusão produtiva precisa ser encarada como prioridade de políticas públicas e estratégias empresariais para que assim as juventudes sejam de fato reconhecidas pela potência que são”, afirma Gabriella Bighetti, CEO da United Way Brasil.

Para acessar os estudos completos, clique no link.

Sobre a United Way Brasil (UWB)
A UWB integra o ecossistema da United Way, maior organização de filantropia e sem fins lucrativos do mundo, fundada há mais de 130 anos nos EUA, formada por pessoas e organizações de mais de 37 países. No Brasil, desde 2001, articula com diferentes setores para atender às necessidades urgentes das populações mais vulneráveis e realiza programas sustentáveis, de longo prazo, que buscam promover impacto sistêmico com foco no desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos (primeira infância) e na inclusão produtiva de jovens de 15 a 29 anos. Siga nas redes sociais:
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