O primeiro semestre de 2026 foi marcado por cenários que exigiram rápida adaptação do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), e o segundo semestre deve intensificar esse movimento. Além dos desafios recorrentes, como a escassez de mão de obra, a segurança nas estradas e os gargalos de infraestrutura, as transportadoras precisam acelerar a preparação para a Reforma Tributária, que inicia sua fase de implementação em janeiro de 2027. Com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), o setor passará por mudanças na forma de tributação, aproveitamento de créditos fiscais, precificação dos serviços e gestão das operações.
A reforma exigirá uma revisão da forma como as empresas planejam e conduzem seus negócios já que a nova sistemática deve impactar contratos, estrutura de custos, relacionamento com fornecedores, planejamento financeiro e processos internos, exigindo maior integração entre as áreas fiscal, jurídica, financeira, comercial e operacional. Em um segmento de margens estreitas e alta competitividade como o transporte rodoviário de cargas, preparar-se com antecedência será fundamental para reduzir riscos, preservar a eficiência operacional e manter a competitividade durante o período de transição.
Para Ludymila Mahnic, diretora comercial e operacional da Mahnic Soluções Logísticas, o principal desafio da Reforma Tributária não está apenas na mudança das regras fiscais, mas na necessidade de reorganizar a gestão das empresas antes que o novo modelo entre em vigor. Segundo a executiva, as transportadoras que iniciarem esse processo apenas quando a reforma começar a ser implementada terão menos tempo para adaptar contratos, processos e estratégias de negócio.
“Como preparação, já estamos revisando nossos processos internos, avaliando os impactos financeiros da nova tributação e analisando contratos com clientes e fornecedores. Também já iniciamos, junto aos nossos fornecedores de tecnologia, alguns testes e adequações no sistema de gestão para garantir que ele esteja preparado para atender às novas exigências fiscais quando a reforma entrar em vigor”, destaca.
Na Mahnic, a preparação para esse novo cenário já mobiliza diferentes áreas da empresa. As equipes fiscal, financeira, comercial, jurídica e operacional passaram a atuar de forma integrada para revisar processos, avaliar impactos sobre os custos e construir estratégias capazes de preservar a competitividade durante a transição.
“Já iniciamos o acompanhamento da implementação da Reforma Tributária e entendemos que esse será um processo de adaptação para todo o setor de transporte, afinal o nosso objetivo é realizar essa transição de forma organizada, mantendo a eficiência operacional, a conformidade fiscal e a competitividade da Mahnic, sem comprometer a qualidade dos serviços prestados aos nossos clientes”, alega a executiva.
Para Ludymila, a Reforma Tributária marca o início de uma nova fase para a gestão das transportadoras. Além de acompanhar a regulamentação, as empresas precisarão transformar planejamento em ação ao longo deste segundo semestre, estruturando processos, revendo estratégias e preparando suas equipes para operar em um ambiente tributário diferente do atual.
"Nossa preocupação não está apenas em atender às novas exigências fiscais, mas em preparar a empresa para continuar crescendo de forma sustentável. Isso exige planejamento, integração entre as áreas e uma análise cuidadosa dos impactos sobre custos, contratos e operações. Acreditamos que quem tratar essa transição como uma decisão estratégica estará mais preparado para enfrentar os desafios dos próximos anos", finaliza a diretora.
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RODRIGO BERNARDINO DA SILVA
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