Pacto Global da ONU, ACNUDH, OIT e OCDE promovem evento sobre direitos humanos para empresas na Cinemateca

I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas, que ocorre no dia 04, antecipa agenda que será levada ao Fórum Internacional sobre Empresas e Direitos Humanos da ONU, em Genebra

Por JACKSON VIAPIANA/ MáQUINA
7 Min

Pacto Global da ONU, ACNUDH, OIT e OCDE promovem evento sobre direitos humanos para empresas na Cinemateca
Pacto Global da ONU - Rede Brasil
Nesta terça-feira, 04, das 9h às 19h30, a Cinemateca Brasileira recebe o I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas, evento correalizado por Pacto Global da ONU - Rede Brasil, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A ação tem como objetivo promover uma imersão na temática dos direitos humanos e em suas implicações para o mundo corporativo, assim como para diversos níveis da sociedade e entidades públicas.

O encontro, que tem patrocínio da Petrobras e é realizado em parceria e Cinemateca Brasileira, vai debater tópicos de interesse que deverão ser levados pela rede brasileira do Pacto Global da ONU à 14ª edição do Fórum Internacional sobre Empresas e Direitos Humanos da ONU, que ocorre no final do ano, em Genebra.


A iniciativa ocorre em meio a um cenário internacional marcado por crises geopolíticas, emergência climática e aumento de fluxos migratórios pelo mundo. Nesse contexto, o Brasil vive um momento desafiador: se por um lado busca consolidar seu papel como protagonista socioambiental e potência agroindustrial, por outro ainda enfrenta passivos sociais complexos, evidenciados pelos mais de 3.190 trabalhadores resgatados de situações análogas à escravidão, em 2023, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O país ainda está sujeito a um movimento de pressão regulatória global, com cerca de 75% das nações da OCDE apostando em legislações de devida diligência vigentes em matéria social, ambiental e de direitos humanos. Por aqui, o debate institucional avança sob a expectativa de tramitação do PL nº 572/2022 e da consolidação de uma política nacional para o setor, em paralelo ao fortalecimento global de discursos que buscam flexibilizar os componentes dessa agenda em nome da competitividade e da redução de encargos regulatórios.

É sob a urgência desse panorama que o Encontro propõe um espaço de diálogo, com diferentes atores da sociedade, para tratar de dilemas reais, desafios, lições aprendidas e boas práticas de temas estratégicos a nível nacional e internacional. O evento contará com a presença de empresas parceiras do Pacto Global da ONU no país, bem como sindicatos, organizações da sociedade civil, membros da academia, pessoas titulares de direito e outros atores interessados na temática.

"As empresas não operam em um vácuo. Em um contexto marcado por riscos sistêmicos crescentes, a capacidade de enfrentar essas dinâmicas deixou de ser apenas uma questão de conformidade ou reputação, passando a integrar estratégias de resiliência e de competitividade de longo prazo", pontua Mônica Gregori, Diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU-Rede Brasil.

Diálogo entre diferentes atores sociais e programação de alto nível
Com mais de dez horas de programação, pontuada por intervenções culturais, o evento abordará pontos sensíveis distribuídos em painéis simultâneos e rodas de conversa.
O grande diferencial do encontro será a diversidade e a pluralidade de vozes reunidas.

Entre os nomes confirmados estão líderes de organismos internacionais como Vinicius Pinheiro (Diretor da OIT no Brasil), e Miguel Castro-Riberos (OCDE); executivos do setor privado como Sue Wolter (Gerente de Riscos Sociais e Direitos Humanos da Petrobras); representantes do Governo Federal (MTE, MME e MDHC); além de lideranças de trabalhadores e comunidades tradicionais como Jandyra Uehara (CUT), Julia Neiva (Conectas), Maryellen Crisóstomo (Coletivo de Mulheres Quilombolas da Conaq) e Uine Lopes (Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais).


No período da manhã, as discussões em painéis se concentrarão nos rumos da conduta empresarial responsável diante das transformações geopolíticas e na relevância da implementação prática dessa agenda. Já o período da tarde será dedicado à discussão sobre os desafios de direitos humanos na agroindústria, a questão do Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) e o papel dos minerais críticos e terras raras na mineração, voltada à transição energética, com a participação de lideranças tradicionais, além de trazer um debate sobre os atuais instrumentos para fazer avançar a agenda de direitos humanos nas empresas.

De forma paralela aos grandes debates, ocorrerão as rodas de conversa que visam a trazer para o centro da reflexão temas como Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), a Justiça Climática para povos indígenas e comunidades tradicionais, estratégias para evitar o “washing”, o papel das empresas para contribuir com o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens e o uso da Inteligência Artificial (IA) para a proteção e promoção dos direitos humanos.  

Além de toda a agenda de debates e conversas, o encontro contará com o apoio da Rede Mulher Empreendedora (RME) e o Fórum Empresas com Refugiados. Reunirá ainda 11 expositores dentro de uma feira de empreendedorismo, com itens como artesanato indígena, peças em macramê, moda afro, vestuário, quadros, perfumes e doces. Também haverá uma exposição fotográfica com imagens de refugiados, e venda de pratos, no decorrer do dia, elaborados pela Cozinha da Ocupação 9 de Julho."

O encerramento do evento contará com a exibição do filme “A Melhor Mãe do Mundo”, em uma “sessão pipoca”, seguido de um debate sobre economia circular, autonomia feminina e direitos humanos, com participação prevista de artistas e especialistas do setor. As conclusões dos debates travados no transcorrer do evento serão consolidadas em um documento estruturado, desenhado para servir como subsídio técnico e contribuição brasileira para o debate global. O relatório final será levado às discussões internacionais do Fórum Regional e da 14ª edição do Fórum de Genebra.

Gabriela Almeida, Gerente Executiva de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU- Rede Brasil, ressalta que o avanço da agenda exige encarar a complexidade das operações de forma transparente e colaborativa. "O amadurecimento do mercado corporativo nacional passa por superar abordagens superficiais. Discutir direitos humanos na cadeia de valor exige que tragamos para a mesa os desafios práticos que diferentes setores enfrentam no dia a dia", avalia.

A agenda completa do I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas pode ser acessado aqui.

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
JACKSON VIAPIANA
[email protected]


Notícias Relacionadas »