Acordo Mercosul-Singapura abre novo mercado para empresas brasileiras e amplia estratégia de diversificação do comércio exterior

Por
6 Min

Acordo Mercosul-Singapura abre novo mercado para empresas brasileiras e amplia estratégia de diversificação
Cristiane Fais é CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional - divulgação

A entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Singapura abre uma nova frente de oportunidades para empresas brasileiras que atuam ou pretendem atuar no mercado internacional. Promulgado pelo Decreto nº 13.081, de 27 de julho de 2026, o acordo passou a vigorar para o Brasil em 1º de agosto e estabelece novas condições para ampliar o comércio, os investimentos e a integração econômica entre os países do bloco sul-americano e a República de Singapura.

 

O acordo foi assinado no Rio de Janeiro em dezembro de 2023, após cinco anos de negociações, e contempla não apenas o comércio de bens, mas também serviços e investimentos. O tratado inclui ainda compromissos relacionados à facilitação de comércio, propriedade intelectual, compras governamentais e comércio eletrônico, criando um conjunto mais amplo de regras para as relações econômicas entre as partes.

 

Um dos principais efeitos para os exportadores brasileiros está na redução das barreiras tarifárias. Pelo acordo, todos os produtos exportados pelo Mercosul para Singapura terão liberalização tarifária imediatamente após sua entrada em vigor. Para as importações provenientes de Singapura, o Mercosul concederá liberalização para 95,8% das linhas tarifárias, correspondentes a 90,8% do valor atualmente importado pelo bloco, com diferentes cronogramas de redução para os produtos.

 

Para Cristiane Fais, empresária e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP, o acordo representa uma oportunidade importante para o Brasil ampliar sua presença no mercado asiático e, principalmente, diversificar destinos para suas exportações.

 

"O acordo com Singapura é estratégico porque abre uma porta ainda maior para as empresas brasileiras na Ásia. Não estamos falando apenas de vender mais para Singapura, mas de estabelecer relações comerciais, investimentos e conexões logísticas com uma das economias mais integradas ao comércio internacional. É uma oportunidade que precisa ser analisada pelas empresas brasileiras, principalmente aquelas que ainda dependem de poucos mercados compradores."

 

Segundo a especialista, Singapura possui uma posição estratégica na logística e no comércio internacional asiático, o que aumenta o potencial do acordo para empresas brasileiras que desejam ampliar sua atuação na região.

 

"Singapura é um importante hub comercial e logístico da Ásia. Para o empresário brasileiro, isso significa que o país pode funcionar não apenas como destino final de uma mercadoria, mas também como uma porta de entrada para outros mercados asiáticos. É preciso entender essa posição estratégica e avaliar como ela pode ser incorporada à estratégia de internacionalização de cada empresa."

 

O momento também é considerado relevante diante das transformações recentes no comércio mundial, marcadas por disputas tarifárias, mudanças geopolíticas e necessidade de diversificação de mercados.

 

Nesse cenário, ampliar a rede de acordos comerciais pode reduzir a dependência de determinados mercados e criar novas possibilidades para os exportadores.

 

"O comércio internacional está passando por uma transformação muito grande. Tarifas, conflitos, mudanças regulatórias e questões logísticas podem alterar rapidamente a competitividade de uma operação. Ter mais mercados disponíveis significa ter mais alternativas. A diversificação não deve ser vista apenas como uma oportunidade de vender mais, mas também como uma estratégia de redução de riscos."

 

Para Cristiane, o resultado efetivo dependerá da capacidade das empresas brasileiras de aproveitar as novas condições comerciais.

 

"Um acordo de livre comércio não significa que as exportações vão crescer automaticamente. Ele cria condições mais favoráveis, mas cabe às empresas identificar oportunidades, conhecer as regras de origem, entender a demanda daquele mercado, adequar produtos, estruturar preços e preparar a logística. A oportunidade existe, mas precisa ser transformada em estratégia empresarial."

 

Outro aspecto importante será a preparação das empresas para utilizar corretamente as preferências tarifárias. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disponibilizou manuais específicos sobre regras de origem e desgravação tarifária, além de orientações para exportadores, importadores e demais operadores de comércio exterior.

 

Na avaliação da especialista, pequenas e médias empresas também podem se beneficiar do novo cenário.

 

"Não podemos imaginar que acordos internacionais beneficiam apenas grandes multinacionais. Pequenas e médias empresas também podem encontrar nichos na Ásia, desde que tenham preparação e capacidade para atender às exigências do mercado. É justamente por isso que capacitação e inteligência comercial são tão importantes."

 

Cristiane destaca ainda que o acordo pode estimular não apenas exportações, mas também importações e investimentos, criando novas possibilidades para a indústria brasileira.

 

"O comércio exterior funciona nos dois sentidos. Ao mesmo tempo em que o Brasil ganha condições para exportar mais, a redução de tarifas também pode facilitar a entrada de determinados produtos, componentes, equipamentos e tecnologias de Singapura. Isso pode gerar ganhos de competitividade para empresas brasileiras que utilizam esses produtos em seus processos produtivos."

 

Para a empresária e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP, a entrada em vigor do acordo reforça uma tendência que deve ganhar força nos próximos anos: a necessidade de o Brasil ampliar e diversificar sua rede de parceiros comerciais.

 

"O Brasil tem produtos, capacidade produtiva e tecnologia para conquistar muito mais espaço no comércio internacional. O desafio é transformar essas vantagens em negócios. O acordo Mercosul-Singapura representa mais uma porta que se abre, especialmente para a Ásia, e as empresas brasileiras precisam começar a olhar para essa oportunidade agora, entender as regras e avaliar onde seus produtos podem ser competitivos."

 

A expectativa, segundo Cristiane, é que o acordo contribua gradualmente para ampliar o fluxo de mercadorias, investimentos e serviços entre os mercados, ao mesmo tempo em que estimula empresas brasileiras a adotarem uma visão mais internacional de seus negócios.

 

"Estamos falando de uma construção de longo prazo. Os resultados mais importantes não aparecerão necessariamente nos primeiros meses. Mas quanto antes as empresas conhecerem o acordo, identificarem oportunidades e se prepararem, maiores serão as chances de aproveitar esse novo ambiente comercial. Em um mundo em que os mercados estão mudando rapidamente, ampliar as possibilidades de comércio é uma vantagem estratégica para o Brasil."


Notícias Relacionadas »