“Quando eu ganhar mais”, “quando meus filhos crescerem”, “quando eu me aposentar”, “quando tiver mais tempo”. Frases como essas fazem parte da rotina de muitas pessoas que estabelecem uma condição futura para finalmente se permitirem aproveitar a vida. O problema, segundo o médico obstetra e escritor Albino Bonomi, é que esse momento ideal pode nunca chegar.
Para o médico, a busca por estabilidade, sucesso profissional e melhores condições para a família é legítima, mas não deveria significar o adiamento permanente da felicidade.
“É muito comum colocarmos a felicidade sempre no futuro. Acreditamos que seremos felizes quando resolvermos determinado problema, ganharmos mais dinheiro ou alcançarmos uma determinada posição. O risco é passarmos a vida inteira trabalhando para chegar a um momento que nunca chega”, afirma Bonomi.
A reflexão está presente em O Ciclo Gestatório de um Homem, obra em que o escritor revisita diferentes etapas da existência e propõe uma reflexão sobre escolhas, experiências, relações familiares e autoconhecimento.
Segundo Bonomi, uma das armadilhas está em acreditar que felicidade depende exclusivamente da ausência de problemas.
“A vida nunca estará completamente resolvida. Sempre teremos preocupações, responsabilidades e novos desafios. Se condicionarmos nossa felicidade à chegada de uma fase sem problemas, provavelmente estaremos sempre adiando a possibilidade de viver bem.”
Quando os filhos crescem
A própria relação entre pais e filhos também pode levar ao adiamento da felicidade. Muitos pais passam anos dizendo que terão mais tempo para si quando os filhos crescerem, sem perceber que determinadas fases da infância e da adolescência são únicas.
Essa perspectiva também aparece em Como Criei e Amei Filhos Fortes e Felizes, livro no qual Bonomi compartilha reflexões sobre a experiência de criar os filhos e sobre os valores que considera importantes para a formação de pessoas emocionalmente preparadas para a vida.
“Os filhos crescem muito rápido. Se os pais passarem toda a infância dizendo que vão aproveitar a vida depois que os filhos crescerem, podem perder momentos que jamais voltarão. É preciso encontrar felicidade também dentro da própria rotina familiar, mesmo com todas as dificuldades.”
Para o escritor, isso não significa abandonar projetos ou deixar de buscar melhorias para o futuro, mas aprender a equilibrar planejamento e presença.
“Precisamos construir o futuro, mas sem sacrificar completamente o presente. Trabalhar por uma vida melhor é importante; esquecer de viver enquanto trabalhamos por ela é que pode ser um grande erro.”
Bonomi acredita que o autoconhecimento ajuda a identificar aquilo que realmente é importante e a perceber se a pessoa está vivendo de acordo com seus próprios valores ou apenas cumprindo expectativas.
“Talvez uma das perguntas mais importantes que possamos fazer seja: se a minha vida continuar exatamente como está hoje, eu estou satisfeito com a maneira como estou vivendo? Essa pergunta pode ser desconfortável, mas também pode nos ajudar a mudar aquilo que precisa ser mudado.”
Ao relacionar suas experiências pessoais e profissionais com a literatura, o médico defende que felicidade não precisa ser entendida como um estado permanente, mas como a capacidade de reconhecer valor nos momentos que estão sendo vividos.
“Não precisamos esperar a vida ficar perfeita para sermos felizes. A felicidade pode estar em uma conversa, em um abraço, em acompanhar o crescimento de um filho, em fazer aquilo que amamos ou simplesmente em perceber que estamos vivos. O futuro merece planejamento, mas o presente merece ser vivido.”
Sobre o livro
O Ciclo Gestatório de um Homem, de Albino Bonomi, está disponível para compra no Clube de Autores:
https://clubedeautores.com.br/livro/o-ciclo-gestatorio-de-um-homem