Reforma Tributária antecipa decisões e coloca pequenas empresas diante de escolhas para 2027

Empresas terão setembro como mês-chave para o Simples Nacional; Meu Contador Online, que atende 3.943 clientes no regime, alerta para impacto de IBS, CBS e split payment

Por FLáVIO PEREZ
9 Min

Reforma Tributária antecipa decisões e coloca pequenas empresas diante de escolhas para 2027
Agência Sunz | Divulgação

A Reforma Tributária começa a exigir decisões das pequenas empresas antes mesmo da chegada de 2027. Com a antecipação para setembro de 2026 do período de opção pelo Simples Nacional para empresas que pretendem ingressar no regime no próximo ano, empresários terão de avaliar pendências, faturamento, margem, folha de pagamento e perfil de clientes ainda durante o segundo semestre. Para quem já está no Simples, outra escolha entra no radar: manter IBS e CBS dentro do DAS ou avaliar o recolhimento pelo regime regular.

A mudança transforma setembro em um período de planejamento para micro e pequenas empresas. No Meu Contador Online (MCO), que possui 3.943 clientes no Simples Nacional, o trabalho de preparação para 2027 já começou com a segmentação da carteira e análise dos diferentes impactos que a nova tributação poderá provocar em cada perfil de negócio.

“A principal mudança é que a decisão tributária precisará ser tomada mais cedo. As empresas que não estão no Simples Nacional e pretendem ingressar no regime em 2027 deverão solicitar a opção entre 1º e 30 de setembro de 2026. Antes, essa decisão normalmente era tomada em janeiro. Parece apenas uma mudança de calendário, mas não é. O tempo também faz parte de uma decisão: quando o prazo é antecipado, o planejamento precisa ser antecipado com ele”, explica Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online.

Segundo Anderson Diogenes Pavanello, empresas que já estão regularmente no Simples Nacional e pretendem continuar recolhendo todos os tributos pelo DAS não precisam realizar uma nova opção. Isso, porém, não significa que possam deixar a Reforma Tributária para depois.

“No entanto, mesmo quem já está no Simples deverá analisar se existe vantagem em recolher IBS e CBS pelo regime regular, fora do DAS. Caso queira adotar esse modelo no primeiro semestre de 2027, deverá fazer essa escolha também em setembro. Portanto, estar no Simples não significa que o empresário possa simplesmente ignorar o assunto. Às vezes, permanecer como está também é uma decisão — e precisa ser consciente”, afirma.

Simples híbrido exige análise além das alíquotas

Uma das possibilidades abertas pela Reforma é o chamado Simples híbrido, no qual a empresa permanece no Simples Nacional para os demais tributos, mas passa a recolher IBS e CBS pelas regras do regime regular.

O modelo pode ganhar relevância principalmente para empresas que vendem para outras pessoas jurídicas e participam de cadeias nas quais os créditos tributários têm peso comercial. Negócios com volume relevante de compras, insumos, investimentos e despesas capazes de gerar créditos também precisarão analisar o cenário.

Por outro lado, empresas prestadoras de serviços com poucos créditos, custos concentrados em mão de obra e atuação direcionada ao consumidor final podem encontrar maior previsibilidade mantendo os novos tributos dentro do DAS.

“O regime mais sofisticado nem sempre é o mais vantajoso. Às vezes, a simplicidade também tem valor econômico”, avalia Anderson Diogenes Pavanello.

A escolha exige atenção porque a possibilidade de aproveitar mais créditos não significa necessariamente redução da carga tributária.

“Entretanto, é fundamental dizer com clareza: recolher IBS e CBS por fora do DAS poderá representar uma carga tributária maior. A empresa deixa de pagar esses tributos dentro da sistemática favorecida do Simples e passa a se submeter às regras do regime regular. Embora os créditos tributários possam reduzir parte desse impacto, eles não eliminam automaticamente o aumento. Empresas com poucos créditos, especialmente prestadoras de serviços intensivas em mão de obra, podem terminar pagando mais impostos”, explica.

Além da carga tributária, a decisão poderá trazer maior necessidade de controle de documentos, apuração de créditos e débitos e adaptações na rotina administrativa e financeira.

Split payment coloca fluxo de caixa no centro da discussão

Outro ponto que deve entrar no planejamento das empresas é o split payment, mecanismo pelo qual a parcela correspondente ao IBS e à CBS poderá ser segregada no momento da liquidação financeira da operação.

Para o empresário, a mudança tem efeito direto sobre a administração do caixa, já que parte do dinheiro referente aos tributos poderá deixar de transitar temporariamente pela empresa.

“O split payment altera a mecânica financeira dos tributos. Em vez de a empresa receber integralmente o valor da venda e recolher o imposto posteriormente, a parcela correspondente ao IBS e à CBS poderá ser segregada durante a liquidação financeira da operação. Na prática, isso reduz o valor que efetivamente entra no caixa naquele momento. O dinheiro que antes passava pela empresa, ainda que temporariamente, poderá não passar mais. E o caixa sente aquilo que a contabilidade, sozinha, nem sempre consegue contar”, afirma Anderson Diogenes Pavanello.

Capital de giro, formação de preços, prazo concedido aos clientes e negociação com fornecedores passam, portanto, a integrar a análise tributária.

MCO começa a preparar quase 4 mil empresas

Diante das mudanças, o Meu Contador Online começou a estruturar um trabalho de orientação para os 3.943 clientes atendidos atualmente no Simples Nacional. A primeira etapa é identificar empresas que permanecerão no modelo tradicional, negócios que precisam regularizar pendências e aqueles que devem avaliar IBS e CBS pelo regime regular.

Entre as dúvidas que já aparecem estão possíveis aumentos de impostos, funcionamento dos créditos, efeitos do split payment sobre o caixa e a própria continuidade do Simples como opção mais adequada para cada negócio.

“Nossa orientação é evitar respostas genéricas. Duas empresas com o mesmo faturamento podem tomar decisões diferentes dependendo da atividade, da margem, dos custos e do perfil dos clientes. Por fora, elas podem parecer iguais; por dentro, cada negócio possui uma realidade própria”, diz Anderson Diogenes Pavanello.

Antes da tomada de decisão, a recomendação é revisar pendências fiscais, débitos, parcelamentos, limite de faturamento, atividades exercidas, folha de pagamento, margem de lucro e eventuais impedimentos. Clientes e fornecedores também entram na análise diante da nova sistemática de créditos.

“A decisão não pode ser tomada apenas comparando alíquotas. Um número isolado pode parecer muito claro e, ainda assim, esconder quase tudo o que realmente importa na operação”, acrescenta.

Para Anderson Diogenes Pavanello, deixar a preparação para o próximo ano é justamente um dos principais riscos para o pequeno empresário.

“O maior erro é esperar 2027 chegar para começar a entender a Reforma Tributária. Quando o novo ano começar, algumas decisões já terão sido tomadas e os sistemas, contratos, preços e processos financeiros precisarão estar adaptados”, alerta.

“A Reforma Tributária não será apenas uma mudança na guia de impostos. Ela modificará a formação de preços, o fluxo de caixa, a relação entre clientes e fornecedores e a competitividade das empresas. Esperar pode parecer uma forma de ganhar tempo. Neste caso, porém, será apenas uma maneira de chegar atrasado a uma mudança que já começou”, completa.

Sobre o Meu Contador Online

Com origem na tradição contábil iniciada em 1966, em Santo André (SP), o Meu Contador Online combina experiência, tecnologia e atendimento humano. A empresa possui cerca de 4,7 mil clientes ativos, distribuídos por 558 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.

Com aproximadamente 80 profissionais, atende principalmente micro e pequenas empresas, sendo 84,4% da carteira formada por optantes do Simples Nacional. A operação tem forte presença entre prestadores de serviços e oferece soluções para abertura de empresas, troca de contabilidade, migração de MEI para ME e rotinas contábeis, fiscais e trabalhistas. O modelo utiliza tecnologia para simplificar processos e manter o contato direto entre empresários e profissionais responsáveis por suas empresas.


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FLAVIO PEREZ GUIMARAES
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FONTE: https://agenciaonboard360.pressroom.com.br/4698224ce9/reforma-tributaria-antecipa-decisoes-e-coloca-pequenas-empresas-diante-de-escolhas-para-2027.html
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