Com casa cheia, XXIX Congresso da APROFEM abre debates com foco em neurociência, combate ao ódio online e o sentido de educar
Primeiro dia do encontro no Espaço Unimed reuniu cerca de 3 mil profissionais da Educação municipal em palestras com Dr.ª Thais Faria Coelho, Prof.ª Dr.ª Telma Vinha e Prof.ª Dr.ª Emília Cipriano
APROFEM
SÃO PAULO – Teve início nesta terça-feira (01/09), no Espaço Unimed, o XXIX Congresso da APROFEM (Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo). Com o tema “Inteligências em diálogo: aprender em muitas vozes, comunicar e conviver em tempos complexos”, o primeiro dia do evento reuniu cerca de 3 mil educadores da Rede Municipal de Ensino para um ciclo de palestras de alto nível acadêmico, abordando os desafios mais urgentes das salas de aula contemporâneas.
A abertura oficial foi conduzida pelo Presidente da APROFEM, Professor Ismael Nery Palhares Junior, que destacou a formação continuada como pilar central da valorização e do fortalecimento da categoria. "Para a APROFEM, a formação continuada não é uma formalidade, mas sim o motor indispensável para a valorização dos Profissionais da Educação. Diante de uma realidade escolar cada vez mais desafiadora, reunir milhares de servidores para discutir ciência, convivência e práticas pedagógicas humanizadas é fundamental. Proporcionar esse espaço de qualificação de excelência para os nossos filiados é garantir instrumentos concretos para que eles enfrentem a complexidade do cotidiano e transformem as suas escolas", afirmou o Professor.
Neurociência, saúde mental e propósito na docência
A programação matinal de palestras foi aberta pela Dr.ª Thais Faria Coelho, neurocientista, mestre e doutora em Educação e fundadora do Instituto Thais Faria Coelho e do programa Mentes Blindadas. Em sua exposição, "Neurociência na Educação", a pesquisadora detalhou os mecanismos do cérebro em desenvolvimento durante a infância e a adolescência, a plasticidade cerebral e como as emoções impactam diretamente a atenção, a memória e a aprendizagem significativa.
A especialista relacionou os fundamentos da neurociência às competências socioemocionais da BNCC, enfatizando a autorregulação, a empatia e a urgência do autocuidado para os próprios educadores. Provocando a reflexão do público sobre sobrecarga e resiliência, a neurocientista pontuou:
"A gente esvazia as banheiras da vida da gente com colher, copo e balde. Esquece que pode tirar o ralo. A vida pode ser mais leve. Quando a gente tem um propósito na vida, tudo se torna mais leve. Quando a gente tem um por que ou para que a gente suporta qualquer processo. Ninguém pode roubar você de você. Vai buscar você de volta", enfatizou a Dr.ª Thais.
Prevenção da violência extrema e o enfrentamento às subculturas de ódio
No período da tarde, a Prof.ª Dr.ª Telma Vinha, doutora em Educação pela Unicamp e coordenadora associada do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM), ministrou a palestra "Subculturas violentas online, radicalização adolescente e ataques de violência extrema em escolas: a escola como comunidade de cuidado e proteção".
Referência nacional no estudo de clima escolar e conflitos, Telma Vinha expôs dados atualizados sobre o avanço de ecossistemas digitais extremistas que cooptam crianças e jovens por meio de fóruns, comunidades virtuais e memes. A pesquisadora alertou sobre como essas dinâmicas virtuais geram falso senso de pertencimento, dessensibilização e normalização de condutas agressivas, apresentando estratégias práticas para que as instituições de ensino se estruturem como redes ativas de proteção, identificação precoce e cuidado contra ataques violentos.
A especialista explicou que as comunidades criadas nas plataformas digitais aceleram o processo de radicalização, que expõe, reverbera e amplia situações de ataque, bullying, assédio e outras formas de violência. “Nós precisamos criar vínculo com as crianças, para que elas possam levar um problema e saibam que você vai ouvir e saber ajudá-la”.
A reconexão com o sentido do ato pedagógico
Encerrando as atividades do dia, a pedagoga, assistente social e professora titular da PUC-SP, Prof.ª Dr.ª Emília Cipriano, apresentou a conferência “Quando a escola se conecta com o sentido do educar” e convidou os Educadores a se conectarem com a sua criança interior, lembrar da essência de cada um, principalmente com a capacidade de questionar que as crianças têm: “Quando a gente deixa de perguntar, a gente deixa de investigar”.
A educadora propôs uma reflexão profunda sobre o compromisso ético e estético que rege o processo de ensino e aprendizagem. Emília destacou a centralidade da escuta ativa nas relações de confiança mútua e defendeu o acolhimento do estudante como sujeito integral, detentor de direitos e deveres, reforçando a escola pública como espaço insubstituível de afeto e humanização.
O XXIX Congresso APROFEM segue até a próxima quinta-feira (03/09) com novas conferências dedicadas à inovação pedagógica, inclusão, saúde mental, relações étnico-raciais e liderança educacional.
A abertura oficial foi conduzida pelo Presidente da APROFEM, Professor Ismael Nery Palhares Junior, que destacou a formação continuada como pilar central da valorização e do fortalecimento da categoria. "Para a APROFEM, a formação continuada não é uma formalidade, mas sim o motor indispensável para a valorização dos Profissionais da Educação. Diante de uma realidade escolar cada vez mais desafiadora, reunir milhares de servidores para discutir ciência, convivência e práticas pedagógicas humanizadas é fundamental. Proporcionar esse espaço de qualificação de excelência para os nossos filiados é garantir instrumentos concretos para que eles enfrentem a complexidade do cotidiano e transformem as suas escolas", afirmou o Professor.
Neurociência, saúde mental e propósito na docência
A programação matinal de palestras foi aberta pela Dr.ª Thais Faria Coelho, neurocientista, mestre e doutora em Educação e fundadora do Instituto Thais Faria Coelho e do programa Mentes Blindadas. Em sua exposição, "Neurociência na Educação", a pesquisadora detalhou os mecanismos do cérebro em desenvolvimento durante a infância e a adolescência, a plasticidade cerebral e como as emoções impactam diretamente a atenção, a memória e a aprendizagem significativa.
A especialista relacionou os fundamentos da neurociência às competências socioemocionais da BNCC, enfatizando a autorregulação, a empatia e a urgência do autocuidado para os próprios educadores. Provocando a reflexão do público sobre sobrecarga e resiliência, a neurocientista pontuou:
"A gente esvazia as banheiras da vida da gente com colher, copo e balde. Esquece que pode tirar o ralo. A vida pode ser mais leve. Quando a gente tem um propósito na vida, tudo se torna mais leve. Quando a gente tem um por que ou para que a gente suporta qualquer processo. Ninguém pode roubar você de você. Vai buscar você de volta", enfatizou a Dr.ª Thais.
Prevenção da violência extrema e o enfrentamento às subculturas de ódio
No período da tarde, a Prof.ª Dr.ª Telma Vinha, doutora em Educação pela Unicamp e coordenadora associada do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM), ministrou a palestra "Subculturas violentas online, radicalização adolescente e ataques de violência extrema em escolas: a escola como comunidade de cuidado e proteção".
Referência nacional no estudo de clima escolar e conflitos, Telma Vinha expôs dados atualizados sobre o avanço de ecossistemas digitais extremistas que cooptam crianças e jovens por meio de fóruns, comunidades virtuais e memes. A pesquisadora alertou sobre como essas dinâmicas virtuais geram falso senso de pertencimento, dessensibilização e normalização de condutas agressivas, apresentando estratégias práticas para que as instituições de ensino se estruturem como redes ativas de proteção, identificação precoce e cuidado contra ataques violentos.
A especialista explicou que as comunidades criadas nas plataformas digitais aceleram o processo de radicalização, que expõe, reverbera e amplia situações de ataque, bullying, assédio e outras formas de violência. “Nós precisamos criar vínculo com as crianças, para que elas possam levar um problema e saibam que você vai ouvir e saber ajudá-la”.
A reconexão com o sentido do ato pedagógico
Encerrando as atividades do dia, a pedagoga, assistente social e professora titular da PUC-SP, Prof.ª Dr.ª Emília Cipriano, apresentou a conferência “Quando a escola se conecta com o sentido do educar” e convidou os Educadores a se conectarem com a sua criança interior, lembrar da essência de cada um, principalmente com a capacidade de questionar que as crianças têm: “Quando a gente deixa de perguntar, a gente deixa de investigar”.
A educadora propôs uma reflexão profunda sobre o compromisso ético e estético que rege o processo de ensino e aprendizagem. Emília destacou a centralidade da escuta ativa nas relações de confiança mútua e defendeu o acolhimento do estudante como sujeito integral, detentor de direitos e deveres, reforçando a escola pública como espaço insubstituível de afeto e humanização.
O XXIX Congresso APROFEM segue até a próxima quinta-feira (03/09) com novas conferências dedicadas à inovação pedagógica, inclusão, saúde mental, relações étnico-raciais e liderança educacional.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): Rafaela Manzo Barreto queiroz
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FONTE: https://www.aprofem.com.br/