Opinião: O que estamos realmente ensinando quando uma criança pratica esporte?

Por Luiz Augusto Gimenez Quartin – Empresário, investidor e entusiasta dos esportes

Por DINA FREITAS
4 Min

Opinião: O que estamos realmente ensinando quando uma criança pratica esporte?
Luiz Augusto Gimenez Quartin. Foto: Divulgação

O esporte infantil está deixando de ser um negócio baseado apenas na oferta de uma modalidade. Em um mercado no qual famílias procuram cada vez mais experiências que combinem saúde, educação, desenvolvimento e conveniência, começa a surgir espaço para modelos capazes de reunir diferentes serviços em torno de uma mesma jornada.

É nesse movimento que surge um novo empreendimento em Brasília, com investimento de R$ 8 milhões e inauguração prevista para novembro, no Park Sul. Com cerca de 2 mil metros quadrados, o espaço foi concebido para ir além de um centro de treinamento: será um ecossistema voltado ao esporte, à educação e ao desenvolvimento infantil, reunindo diferentes experiências em um mesmo ambiente.

A lógica é  simples: uma criança pode começar no esporte por diferentes portas, ter contato com profissionais especializados e, conforme seus interesses e características, encontrar outras possibilidades dentro do mesmo ambiente. É um modelo que responde a uma demanda que vai muito além do esporte.

A falta de atividade física entre crianças e adolescentes tornou-se um problema global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% dos adolescentes não atingem os níveis recomendados de atividade física. A entidade recomenda que crianças e adolescentes de 5 a 17 anos façam, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana. 

No Brasil, os dados mais recentes reforçam o tamanho do desafio. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do IBGE, mostrou que apenas 30,6% dos estudantes de 13 a 17 anos eram fisicamente ativos. Outros 58,4% foram classificados como insuficientemente ativos e 9,7% como inativos. No mesmo levantamento, 44,5% dos estudantes disseram permanecer sentados realizando atividades diversas, além do tempo dedicado especificamente à televisão e às plataformas digitais.

Mas existe outra dimensão nessa discussão que considero especialmente importante: o que acontece com uma criança quando ela pratica esporte regularmente? A resposta não está apenas na melhora do condicionamento físico.

Uma revisão sistemática publicada em 2025 no Journal of Physical Activity and Health, que reuniu 24 estudos e 48.558 crianças e adolescentes, encontrou associações positivas entre atividade física, cognição e desempenho acadêmico em parte significativa dos estudos analisados. 

O desafio para quem atua nesse mercado, portanto, não é apenas oferecer uma atividade. É criar uma experiência capaz de competir pela atenção e pelo tempo de crianças e famílias.

O projeto de Brasília aposta justamente nessa integração, seja na ginástica artística, no jiu-jítsu, no desenvolvimento cognitivo, entre outras atividades, com o acompanhamento de profissionais que são referência em suas áreas.

A proposta não é transformar todos os alunos em atletas. O alto rendimento deve ser uma possibilidade, não uma obrigação. Se, ao longo do caminho, surgir talento, interesse e vontade de competir, haverá estrutura para acompanhar essa evolução. Mas, antes de pensar no atleta, é preciso olhar para a criança.

 


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DINA CLEISE DE FREITAS
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