Bares e restaurantes sentem sinais de desaceleração no consumo em agosto

Levantamento da Abrasel aponta queda no faturamento mensal de parte dos estabelecimentos, enquanto custos e dívidas seguem pressionando os resultados

Por TATIANE FERREIRA
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O desempenho de bares e restaurantes em agosto mostra um cenário de atividade ainda positiva, mas com maior pressão sobre os resultados das empresas. Segundo pesquisa da Abrasel, 40% dos estabelecimentos registraram lucro no mês, enquanto 40% ficaram em equilíbrio e 19% tiveram prejuízo (1% não existia no período). A parcela de empresas lucrativas caiu dois pontos percentuais em relação a julho.

A perda de ritmo também aparece no faturamento. Em agosto, 35% das empresas registraram receita maior que em julho, 26% mantiveram o mesmo nível e 38% tiveram queda. Em julho, os percentuais eram de 46%, 25% e 28%, respectivamente.

Os dados apontam para uma desaceleração na comparação mensal, mesmo com as vendas do setor ainda apresentando crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o Índice Abrasel-Stone, bares e restaurantes registraram alta de 7,4% nas vendas em agosto na comparação anual, mas recuaram 0,2% ante julho.

Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, os números mostram que o setor mantém demanda, mas enfrenta um ambiente mais desafiador para transformar vendas em resultado. “A alta anual das vendas é importante, mas agosto mostra que ainda há uma distância entre vender mais e ter mais resultado. Com menos espaço para reajustar preços e uma parcela das empresas com contas em atraso, o desafio é fazer esse crescimento chegar ao caixa”, afirma.

Reajustes continuam abaixo da pressão de custos

A dificuldade de transformar o avanço das vendas em resultado também aparece na política de preços. Em agosto, 38% dos empresários afirmaram não estar conseguindo reajustar os cardápios. Outros 34% fizeram aumentos apenas para acompanhar a inflação, enquanto 22% reajustaram os preços abaixo dela. Apenas 6% conseguiram elevar os valores acima da inflação.

O cenário mostra que a maior parte dos estabelecimentos ainda encontra pouco espaço para repassar o aumento dos custos aos clientes. Em um setor em que preços e fluxo de clientes estão diretamente relacionados, elevar o valor do cardápio também envolve o risco de reduzir o movimento.

Essa restrição se torna ainda mais relevante diante do nível de endividamento das famílias. Em agosto, 83,9 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, o equivalente a 51% da população adulta, segundo dados do Serasa. O cenário representa um fator de alerta para bares e restaurantes, já que uma menor renda disponível pode limitar a capacidade das famílias de consumir nos estabelecimentos e aumentar a pressão para que os empreendedores mantenham preços competitivos.

Contas em atraso seguem pressionando o caixa

A pressão causada pelas dívidas também chega às empresas. Em setembro, 37% dos estabelecimentos pesquisados afirmaram ter algum pagamento em atraso. Entre os principais débitos estão os impostos federais, mencionados por 77% dos empresários nessa situação, seguidos pelos impostos estaduais, com 50%.

“O momento exige cuidado dos dois lados: o consumidor está mais comprometido financeiramente e a empresa também precisa lidar com um caixa mais apertado. Por isso, manter preços competitivos sem perder de vista os custos e as contas do negócio é um equilíbrio que tem se mostrado cada vez mais importante para o setor”, afirma Solmucci.


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