Freio na expansão de lojas físicas acende alerta no varejo

Menor ritmo de inaugurações e fechamento de unidades superior às aberturas expõem momento de inflexão e fragilidade nas PMEs

JéSSICA DA CONCEIçãO
30/01/2026 10h29 - Atualizado há 1 mês

Freio na expansão de lojas físicas acende alerta no varejo
Éden Grupo
O varejo brasileiro atravessa uma mudança silenciosa, mas profunda, em sua estratégia de crescimento. Os números relativos ao mercado farmacêutico funcionam como um termômetro e acendem o sinal de alerta. Além do ritmo de expansão de lojas físicas ser o menor dos últimos anos, o volume de fechamentos segue em alta velocidade.

Segundo indicadores da Close-Up International, o número de farmácias inauguradas no Brasil despencou 39,3% no intervalo de quatro anos. Enquanto 2022 registrou 11,1 mil novas unidades, o número não passou de 6,7 mil em 2025. Para completar, 9,8 mil lojas encerraram operações, total que ultrapassou pela primeira vez o índice de pontos de venda abertos.


Na prática, isso significa que aproximadamente 14 farmácias foram descontinuadas para cada 100 inauguradas em 12 meses. As pequenas e médias redes estão entre as mais afetadas. Em quatro anos, esse grupo reduziu sua presença de 7.537 para 6.551 unidades, uma queda de 22,6%. Já as farmácias independentes fecharam com saldo negativo de 1.567 unidades, mesmo mantendo mais de 56 mil lojas em operação.

“Existe um forte impulso empreendedor, mas a capacidade de sustentar o negócio no médio prazo é cada vez menor. A intuição não é mais suficiente. Especialização em gestão e no uso inteligente de dados deixaram de ser diferenciais para ser requisitos básicos de sobrevivência”, adverte Paulo Costa, consultor empresarial e fundador da Éden Grupo, ecossistema criado em 2025 para integrar projetos de educação corporativa, tecnologia, estruturação de marca e gestão voltados a pequenos e médios varejistas.

Fonte: Close-Up International

Apesar do cenário adverso, o faturamento do varejo farmacêutico cresceu 12,1% no período. O avanço, porém, foi desigual. Entre pequenos e médios players, o crescimento ficou em apenas 5,5%, aprofundando o fosso em relação às grandes redes. “O mercado continua crescendo, mas o crescimento está cada vez mais concentrado”, analisa.
 
Grandes redes também desaceleram

O movimento não se restringe aos pequenos. Grandes grupos varejistas vêm revisando seus planos de expansão física. O Assaí reduziu pela metade a previsão de abertura de lojas em 2025, passando de cerca de 20 para apenas dez unidades, citando custos mais altos e necessidade de desalavancagem financeira.

O Carrefour Brasil afirmou que o segmento de atacarejo – um dos que mais abriu lojas na última década – deve reduzir o ritmo de inaugurações. Dados da Cortex reforçam o diagnóstico. No varejo alimentar, o número de novas unidades caiu 11% no ano passado.

“Quando até os segmentos mais resilientes passam a pisar no freio, fica claro que o problema é estrutural, não conjuntural. O varejo não está morrendo, mas o tempo do crescimento baseado apenas em abrir portas ficou para trás”, finaliza o consultor.
 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
Jéssica da Conceição
[email protected]


FONTE: Scritta - Serviço de Notícia
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://avozderibeirao.com.br/.