Por Alline Lima, do Instituto Mistae
O Carnaval, tal como o conhecemos hoje, se consolidou historicamente na Europa cristã como um ciclo festivo anterior à Quaresma, período em que a Igreja prescrevia jejum e contenção. Por isso, o Carnaval se tornou, ao longo dos séculos, um tempo socialmente reconhecido de exuberância, comida farta, riso coletivo, fantasia e crítica satírica, antes da disciplina do calendário litúrgico. A própria origem do termo, registrada em usos históricos a partir da Idade Moderna, está ligada a expressões medievais associadas à “retirada da carne” (carnelevarium/carnem levare), reforçando esse vínculo com o jejum quaresmal.
Dito isso, estudiosos e historiadores da cultura frequentemente apontam que o Carnaval medieval dialoga com um repertório muito mais antigo de festas de “licença” e de inversão simbólica — um conjunto de práticas que existiu em diferentes sociedades, inclusive na Antiguidade. Em Roma, por exemplo, festivais como a Saturnália celebravam banquetes, jogos, permissão momentânea para transgredir normas e a inversão de papéis; em outros contextos antigos, há registros de procissões, mascaradas e celebrações comunitárias que também combinavam música, abundância e teatralidade. Entende-se que há paralelos culturais e recorrências rituais, mas não um “documento de origem” que prove uma linha direta e contínua do mundo antigo ao Carnaval moderno.
Por isso, quando falamos em “origens pagãs”, é mais preciso dizer que o Carnaval traz de alguma forma, em linguagem urbana, temas muito antigos e recorrentes nas culturas humanas: fertilidade, renovação e transformação de identidade por meio de máscaras.
E onde entra a bruxaria?
O Carnaval não tem uma ligação direta documentada com a bruxaria ou com os chamados Sabbats das Bruxas. A conexão é simbólica e parcial: ambos operam em um território de liminaridade – como o uso de máscaras em determinadas ocasiões, a possibilidade de viver livre e autenticamente, a suspensão temporária de códigos cotidianos e a celebração de forças vitais (prazer, riso, criatividade).
Ao mesmo tempo, é importante reconhecer um fato histórico-cultural: práticas populares associadas ao corpo, ao riso e ao “mundo às avessas” foram, em diversos períodos, moralizadas e demonizadas por discursos de controle social — e isso também atingiu, em épocas distintas, tanto a cultura carnavalesca quanto práticas classificadas como bruxaria.
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É uma escola esotérica de magia e autoconhecimento que oferece formações baseadas na prática e na pesquisa histórica. Com um olhar não dogmático e inclusivo, a escola valoriza o amor, o respeito à diversidade e a integridade como princípios fundamentais.
O objetivo é manter vivas as tradições místicas: como a bruxaria natural, a astrologia, o xamanismo e os oráculos adaptando seus saberes ao mundo atual, sempre com responsabilidade e conexão profunda com a ancestralidade.
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JULIANA MATHEUS
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