A decisão recente do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% reforça que o Banco Central do Brasil ainda está priorizando ancorar expectativas e reduzir o risco. Ao mesmo tempo, a sinalização de possíveis cortes a partir deste mês inaugura um novo momento para o investidor: a passagem de um ambiente dominado pelo “carrego” elevado para outro em que a dinâmica da curva de juros e os prêmios de risco ganham mais protagonismo.
Segundo o economista e diretor de gestão da AlphaWave Capital, Tiago Hansen, esse movimento cria uma combinação delicada de riscos e oportunidades. “A chance está em capturar ativos que se beneficiam da reprecificação com a queda dos juros, mas o perigo é se antecipar demais, alongando risco em um cenário ainda sujeito a choques de inflação, fiscal ou câmbio”, pontua.
Na visão do especialista, com juros elevados, a renda fixa segue altamente competitiva, especialmente em estratégias pós-fixadas. No entanto, à medida que o mercado passa a precificar cortes, os ativos prefixados e os títulos indexados à inflação (IPCA+) tendem a se beneficiar da marcação a mercado, o que aumenta o potencial de retorno, mas também a volatilidade. “O investidor precisa entender que qualquer ruído pode mudar rapidamente a inclinação da curva”, explica Hansen.
É nesse contexto que os fundos multimercados passam a ganhar relevância. Diferentemente da renda fixa tradicional, eles contam com liberdade para alocar capital entre diferentes classes de ativos – como juros, moedas, bolsa, crédito e volatilidade – ajustando o risco de forma dinâmica ao longo do ciclo econômico. “Um fundo multimercado bem estruturado não precisa apostar em um único cenário. Ele combina carrego defensivo quando faz sentido com estratégias que exploram assimetrias em momentos de estresse”, afirma o especialista.
Embora a renda fixa ofereça retornos atrativos em juros altos, o conceito de retorno ajustado ao risco envolve mais do que rentabilidade nominal. “Esse é um ponto sobre como a carteira se comporta em diferentes cenários. Quando os juros começam a cair, o investidor precisa preservar o carrego e, ao mesmo tempo, capturar a reprecificação. Fazer isso sozinho, tentando acertar o timing, é extremamente difícil”, destaca Hansen.
O economista ainda ressalta que os fundos multimercados com gestão ativa conseguem alterar a composição do risco ao longo do tempo, reduzindo a necessidade de decisões táticas por parte do investidor final. Em ambientes voláteis, a diversificação funciona como um verdadeiro seguro. “Carteiras muito concentradas, seja só em CDI ou só em ‘duration’, ficam vulneráveis a mudanças bruscas de expectativa. Diversificar evita que o investidor fique refém de um único cenário macroeconômico”, detalha.
Consistência no longo prazo é o verdadeiro diferencial
No horizonte de longo prazo, o valor dos multimercados está na consistência do processo, na disciplina de risco e na capacidade de atravessar diferentes regimes econômicos. Um exemplo citado por Hansen é o Alpha Wave 300, que em fevereiro de 2026 apresentou retorno de 3,77% – praticamente 400% do CDI – e acumula, desde a sua criação, aproximadamente 200% do CDI. “Mais importante do que um mês forte é a recorrência do resultado ao longo do tempo. O diferencial não é prometer mais, é entregar com método, especialmente quando o cenário muda”, ressalta o gestor.
O erro mais comum do investidor, na opinião do economista, é comparar renda fixa e multimercados olhando apenas o desempenho recente. “Em períodos de volatilidade, o investidor tende a perseguir o que acabou de subir ou migrar para o que parece mais confortável. Isso normalmente custa retorno ao longo do ciclo”, conclui. Com juros ainda elevados, mas já apontando para uma inflexão, a escolha entre renda fixa e multimercado passa a exigir estratégia, diversificação e visão de longo prazo.
Sobre a Alpha Wave Capital
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FERNANDA REZENDE CARVALHO
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