Observatório de Oncologia traça Panorama do Transplante de Medula Óssea no SUS
Estudo com dados de 2022 a 2025 revela desigualdade regional e racial no acesso ao tratamento
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O Observatório de Oncologia, uma iniciativa do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, realizou uma análise de dados abertos do Ministério da Saúde para traçar um panorama do Transplante de Medula Óssea realizado no Sistema Único de Saúde (SUS). O TMO é um procedimento utilizado para substituir a medula óssea do paciente que não está funcionando adequadamente porque foi acometida por doenças, entre elas os cânceres de sangue, como as leucemias, linfoma, mieloma múltiplo e mielodisplasia. De modo geral, os resultados apontam que o Brasil possui uma rede de Transplante de Medula Óssea tecnicamente consolidada, com bons indicadores de sobrevida e alta concentração em centros de excelência. Atualmente, o SUS é responsável por aproximadamente 70% a 80% dos TMOs realizados no Brasil. O documento aponta que ainda existem desafios importantes a serem superados, como a desigualdade regional e racial no acesso ao tratamento e a necessidade de ampliar a capacidade instalada em regiões com baixa cobertura e vazios assistenciais. “Embora o transplante de medula óssea seja um tratamento consolidado para os cânceres e doenças hematológicas, ainda observamos diferenças importantes no acesso entre as regiões do país. A maior concentração de centros transplantadores em determinadas localidades faz com que muitos pacientes precisem se deslocar por longas distâncias e enfrentem a falta de leitos”, afirma a médica sanitarista “Catherine Moura, líder do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer. “O procedimento pode ser determinante para o sucesso clínico, e quando existem barreiras geográficas ou estruturais que dificultam o acesso, pode atrasar etapas importantes da jornada do paciente. Por isso, discutir a distribuição dos centros transplantadores e o fortalecimento da rede assistencial é essencial para garantir equidade no cuidado”, ressalta Catherine Moura. O que dizem os dados A análise do perfil dos pacientes revela que 51% das pessoas submetidas ao TMO são de raça branca, 41,1% parda e 6,4% preta. Essa distribuição sugere um predomínio de pacientes brancos, o que pode refletir possíveis desigualdades de acesso aos serviços especializados. Em relação à faixa etária, 82,6% dos procedimentos foram realizados em adultos, enquanto apenas 17,4% ocorreram em pacientes com até 18 anos. A distribuição geográfica dos transplantes confirma uma forte concentração na região Sudeste, especialmente no estado de São Paulo (4.620 TMOs), que reúne os maiores centros de referência e responde por grande parte dos procedimentos nacionais. As regiões Sul e Nordeste aparecem com participação moderada, enquanto o Norte e o Centro-Oeste possuem menor representatividade, o que sugere desigualdade de oferta e necessidade de expansão da rede de atendimento especializado nessas áreas. No total, foram realizados 11.997 transplantes de medula óssea, entre 2022 e 2025, com 364 óbitos registrados, o que representa uma taxa de mortalidade hospitalar de 3%. O custo total dos procedimentos alcançou aproximadamente R$ 629 milhões, com custo médio de R$ 52.460,61 por transplante, indicando um investimento expressivo em alta complexidade dentro do sistema de saúde. Clique aqui para ver o estudo completo. Sobre o Observatório de Oncologia O Observatório de Oncologia é uma plataforma online e dinâmica de monitoramento de dados abertos e compartilhamento de informações relevantes da área de oncologia do Brasil. Iniciativa do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, visa influir na tomada de decisão e no planejamento de políticas de saúde baseadas em evidências. Com metodologia descritiva, os estudos do Observatório de Oncologia buscam determinar a distribuição da doença e condições relacionadas à saúde. Todos os estudos utilizam dados governamentais abertos (DGA) e abrangem quatro dimensões: demográfica, epidemiológica, procedimentos de assistência à saúde e estrutura da rede assistencial. A produção de informação está baseada em atendimentos ambulatoriais, internações hospitalares, incidência e mortalidade do câncer. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
LEANDRO ANTONIO FERRARI ANDRADE
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