Com índices alarmantes que apontam que uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o enfrentamento a esse ciclo de abusos ganha novos contornos através da diplomacia social. No último dia 12 de março, a cidade de Nova York tornou-se o cenário de uma cooperação estratégica entre o Instituto Por Elas e o Mayor’s Office to End Domestic and Gender-Based Violence. O encontro técnico no Manhattan Family Justice Center reuniu lideranças brasileiras e norte-americanas para consolidar uma agenda que une inteligência em segurança pública e protocolos avançados de proteção feminina, conectando a realidade brasileira ao que há de mais rigoroso no cenário global.
O evento focou no intercâmbio de soluções que integram polícia, justiça, saúde e assistência em um fluxo único, modelo pelo qual o centro nova-iorquino é reconhecido mundialmente. A comitiva brasileira apresentou como a inovação social, incluindo frentes como a moda circular, pode servir de ferramenta de emancipação e independência financeira para sobreviventes.
De acordo com Rizzia Froes, advogada que preside a organização e idealizou o projeto, o sucesso da missão reflete a força da mobilização brasileira no exterior. "O evento na prefeitura foi um sucesso. Contamos com a presença de 26 lideranças do Brasil, incluindo a Secretária de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça, Sheila de Carvalho, e representantes do Ministério das Mulheres. Tivemos também a presença da juíza Ana Lúcia Lourenço, representando a Comissão Nacional de Justiça para as Mulheres (CNJ), e de Marina Ganzarolli. A bancada política foi fortalecida pela vereadora Marcela Gaspar, de Batatais (SP). Foi um grupo muito forte, somado às representantes locais de Nova York, onde debatemos como devemos melhorar e integrar as redes de proteção no Brasil", afirma a fundadora.
Para ela, a presença no coração da justiça em Manhattan é o resultado de uma aliança exclusiva cultivada há anos. "A proteção da mulher não pode ser fruto de improviso, ela exige engenharia, método e articulação institucional de alto nível. Estar aqui bebendo da fonte dos protocolos mais eficientes do mundo nos permite elevar o padrão do que entregamos no Brasil, garantindo que nossas tecnologias sociais tenham o embasamento necessário para salvar vidas de forma escalável", pontua.
A visita técnica permitiu um mergulho profundo na estrutura de Nova York para inspirar novas políticas públicas em solo brasileiro. Ocupar esses espaços de decisão é fundamental para que a voz da mulher brasileira seja ouvida onde se desenha o futuro da segurança pública. "Não estamos em Nova York apenas para aprender, mas para discutir como a potência dessas ações de impacto pode ser adaptada. A diplomacia social nos permite entender que a violência doméstica é um desafio global que exige soluções compartilhadas", conclui a advogada.
Essa aproximação promete fortalecer o canal de comunicação entre as metrópoles, permitindo que o intercâmbio de inteligência e métricas de sucesso se torne uma constante no combate à violência de gênero em ambos os países. A união entre o terceiro setor e o governo estrangeiro sinaliza um novo patamar para o Instituto Por Elas, que expande seu impacto ao influenciar diretrizes de acolhimento e proteção de forma global.
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Fonte: Rizzia Froes - Advogada e Presidente e fundadora do Instituto Por Elas.
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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