A décima edição do Conversas Difíceis propõe uma pergunta direta: quais são as limitações do jornalismo atual para cobrir temas relacionados à religião, ao cristianismo e a política? O novo encontro, parte da série de debates promovida pelo Instituto Humanitas360, está marcado para o dia 9 de abril, às 19h, no Espaço CIVI-CO, em Pinheiros, em São Paulo.
As redações brasileiras, assim como as universidades, concentram profissionais com nível de escolaridade muito acima da média do país. Uma consequência disso é a presença desproporcional de ateus e agnósticos nesses espaços. Não se trata apenas de desinteresse por religião, mas, muitas vezes, de desconhecimento — no caso do cristianismo, da Bíblia, referência cotidiana para milhões de evangélicos no Brasil.
“A religião, tema central na vida de grande parte da população, especialmente nas camadas populares, tende a ser um ‘não assunto’ nas redações. Quando aparece, sobretudo no caso dos evangélicos, frequentemente está associada a crime, manipulação ou influência política — questões relevantes, mas que não esgotam o fenômeno”, afirma o antropólogo Juliano Spyer, curador do Conversas Difíceis.
Há evangélicos nas redações, mas muitos evitam se identificar dessa forma. Em parte, por virem de igrejas históricas e tratarem a fé com discrição. Por outro lado, porque o ambiente pode ser percebido como pouco acolhedor para posições consideradas conservadoras nos costumes.
Para discutir esse tema, o Conversas Difíceis #10 reúne três profissionais que atuam diretamente nessa fronteira:
Realidade em transformação
Historicamente, o Brasil foi formado sob forte influência católica, o que criava uma base comum entre redações e público. Hoje, observa-se um processo de bifurcação social em torno da religião.
De um lado, cresce o número de pessoas sem religião, que já representam 9,3% da população. De outro, avançam os evangélicos, que chegaram a 26,9%, segundo o Censo de 2022. Ainda que o crescimento tenha desacelerado, foi o maior entre todos os grupos.
O resultado são universos que coexistem, mas nem sempre se comunicam — com repertórios, linguagens e critérios de verdade distintos. Esse fenômeno não é apenas brasileiro, mas se repete em diferentes países do continente.
Diante desse cenário, surge uma questão central: como cobrir a sociedade brasileira sem compreender a religião, especialmente quando as faculdades de jornalismo pouco abordam a sociologia da religião? Em que as redações precisam melhorar? São estas as perguntas que o Conversas Difíceis #10 vai procurar responder.
Sobre “Conversas Difíceis”
“Conversas Difíceis" é uma série de encontros gratuitos e abertos ao público, promovida pelo Instituto Humanitas360 e pelo CIVI-CO, com curadoria de Juliano Spyer. Seu propósito é abrir diálogos que a sociedade evita, criando um ambiente seguro, plural e acessível para a troca de experiências e perspectivas divergentes, sem hierarquias rígidas de fala.
Nos eventos já realizados foram debatidos temas como religião e eleições, acolhimento a famílias enlutadas por suicídio no Setembro Amarelo, cannabis medicinal, ciência e espiritualidade.
Edições anteriores estão disponíveis no canal do YouTube do Instituto Humanitas360: https://www.youtube.com/@Humanitas360
Conversas Difíceis #10 - Mídia, religião e política: tensões e limites
Data: 9 de abril de 2026 (quinta-feira)
Horário: início pontualmente às 19 horas e término às 20h30
Local: CIVI-CO – Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 445 – Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita – vagas limitadas
Inscrições pelo Sympla: https://bit.ly/ConversasDificeis10
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LEANDRO ANTONIO FERRARI ANDRADE
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